Rússia mata 17 no maior ataque do ano contra a Ucrânia

Foco da ação, uma das mais intensas de todo o conflito, foi em Kiev, Dnipro e Odessa, mas 26 localidades em todo o país foram atingidas

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Rússia mata 17 no maior ataque do ano contra a Ucrânia
(Foto: Captura de Tela/X)

IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As forças de Vladimir Putin fizeram o maior ataque aéreo deste ano contra a Ucrânia entre a tarde de quarta-feira (15) e a manhã desta quinta (16), deixando ao menos 17 mortos no país invadido em fevereiro de 2022.

O foco da ação, uma das mais intensas de todo o conflito, foi em Kiev, Dnipro e Odessa, mas 26 localidades em todo o país foram atingidas. Os russos empregaram 659 drones, dos quais os ucranianos disseram ter abatido 636, e 44 mísseis, 31 derrubados.

O maior número de mortos foi registrado em Odessa, que é o principal porto do país. Ao menos nove pessoas morreram quando mísseis atingiram prédios residenciais. Na capital, ao menos quatro pessoas morreram, inclusive uma criança de 12 anos, e grandes incêndios eram combatidos ainda na manhã desta quinta.

Mantendo sua guerra assimétrica, o governo de Volodimir Zelenski atacou com drones o terminal petrolífero russo de Tuapse, no mar Negro, matando ao menos duas pessoas e deixando um grande incêndio.

Kiev tem direcionado suas ações contra a infraestrutura energética russa para tentar remover a vantagem que a crise no Oriente Médio deu a Vladimir Putin.

Desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro, o aumento no preço do petróleo e do gás favoreceu a Rússia, grande produtora que viu sanções contra suas vendas temporariamente removidas para tentar estabilizar o mercado.

Segundo relatório divulgado na quarta pela AIE (Agência Internacional de Energia), a receita russa com óleo subiu de US$ 9,7 bilhões em fevereiro, o menor nível desde a invasão da Ucrânia, para US$ 19 bilhões em março, com o barril vendido com desconto por Moscou para clientes como a China passando de US$ 46 para US$ 78.

Isso deu um alívio momentâneo à grave situação fiscal russa, que registrou um déficit de US$ 60 bilhões no começo do ano. De forma inusual, o próprio Putin cobrou sua equipe econômica em uma reunião televisionada na quarta. “Como vamos reverter isso?”, disse.

Segundo a AIE, os ataques concentrados pela Ucrânia no sistema energético russo limitaram a capacidade de exportação de Moscou, mas por ora são apenas atrasos nos embarques.
O relaxamento das sanções pelos EUA expiraram no sábado (11) e não foi renovado, mas os preços do petróleo seguem altos mesmo com o cessar-fogo vigente e precário no Irã.

Como a Folha de S. Paulo mostrou, o foco global no Oriente Médio foi acompanhado por um aumento na violência na guerra europeia. As semanas posteriores ao início do conflito no Irã registraram o maior número de ataques e batalhas na Ucrânia e na Rússia.

Segundo o monitor da ONG americana Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, no acrônimo em inglês), desde então a linha dos 2.000 incidentes semanais foi rompida, com crescimento de lado a lado, com a evidente vantagem numérica para os russos.

Ambos os rivais buscam vender vitórias pontuais no campo de batalha. A Rússia anunciou ter tomado nesta quarta mais uma cidade no leste ucraniano, e na véspera Zelenski havia dito ter recuperado em março 50 km2 de território ocupado.

O presidente da Ucrânia também propagandeou o que teria sido a primeira conquista militar feita a partir de ataque com drones e robôs terrestres da história, mas especialistas lançaram dúvida sobre a afirmação, feita sem apresentação de evidências.

Tanto Ucrânia como Rússia empregam robôs terrestres em apoio a tropas, mas são basicamente pequenos blindados automatizados, distantes da fantasia usual da cinessérie “O Exterminador do Futuro”. Mas poucos analistas questionam que, assim como ocorreu com os modelos aéreos, uma revolução está a caminho.

Com a atenção mundial no Oriente Médio, as negociações na Europa foram esquecidas. Nesta semana, Donald Trump até falou que a guerra na Ucrânia logo estaria resolvida, mas foi com a ligeireza usual.

Um importante negociador russo, Kirill Dmitriev, esteve recentemente nos EUA, mas o Kremlin disse que isso não significava a reabertura das conversas que haviam sido iniciadas no começo do ano com mediação americana, interrompidas pelo conflito no Irã.

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