Delegado de Cocalzinho que prendeu advogada em flagrante é transferido de delegacia
Episódio também foi estopim para elaboração de portaria que proíbe delegados de efetuarem prisões em casos de envolvimento pessoal

A Polícia Civil (PC) decidiu, nesta quarta-feira (22), afastar o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos das funções em Cocalzinho de Goiás.
A medida ocorre após a forte pressão institucional exercida pela OAB-GO em razão da prisão da advogada Áricka Cunha, ocorrida no dia 15 deste mês, dentro do escritório da profissional.
Segundo o portal A Redação, a Portaria n.º 189/2026, que oficializou a mudança, não concedeu o chamado “período de trânsito” — prazo comum para que o servidor organize a mudança —, obrigando o delegado a se apresentar na nova sede, em Águas Lindas de Goiás.
O episódio gerou um impacto imediato na regulamentação interna da corporação. Através da Portaria n.º 323/2026, a Polícia Civil instituiu uma regra que proíbe, de forma explícita, que delegados conduzam investigações ou efetuem prisões em casos nos quais possuam envolvimento pessoal ou emocional.
A norma visa blindar a instituição de condutas subjetivas, garantindo que o delegado, ao ser parte interessada ou vítima em um suposto crime, não atue diretamente no flagrante ou no inquérito. A medida busca assegurar o distanciamento necessário para a isenção do trabalho policial.
Ao veículo de imprensa, o presidente da OAB-GO, Rafael Lara, destacou que o afastamento e a criação da nova norma representam um avanço importante para evitar abusos de autoridade no estado.
“A nova regra garante que a função pública não seja usada para perseguições pessoais. O Estado de Direito exige que as investigações sejam técnicas e imparciais”, afirmou.
Histórico do conflito
A detenção da advogada ocorreu após ela criticar publicamente uma decisão de Zilmon. O delegado havia arquivado uma denúncia de injúria feita por Áricka, alegando que o termo “loira idiota”, dirigido a ela por um servidor público, não configurava crime.
Inconformado com as críticas postadas pela advogada nas redes sociais, o delegado foi até o local de trabalho da profissional e deu voz de prisão por difamação. Áricka chegou a ser algemada e só deixou a delegacia após o pagamento de uma fiança de R$ 10 mil.
Recentemente, Christian Zilmon utilizou as redes sociais para rebater as acusações de abuso. Em vídeo, ele afirmou estar sendo “atacado de forma vil” e sustentou que agiu em defesa da honra.
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