Justiça proíbe que delegado continue envolvido em caso de advogada presa em Cocalzinho de Goiás
Decisão atendeu a pedido da OAB-GO, que alegou até mesmo que Christian Zilmon estava monitorando a casa e o escritório de Áricka Cunha com drones

A Justiça decidiu que o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, que prendeu a advogada Áricka Cunha dentro do próprio escritório em Cocalzinho de Goiás, terá que se afastar do caso por conta do envolvimento pessoal.
A decisão atendeu a um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Goiás (OAB-GO), que solicitou que o delegado não pudesse atuar em causa própria em ações que envolvessem Áricka.
A liminar em sede de habeas corpus preventivo foi emitida na madrugada deste domingo (19), assinada pelo juiz Samuel João Martins. O documento proíbe expressamente Christian “de realizar atos de lavratura, registro e deliberações em caso de prisão em flagrante que ele tenha sido vítima dos fatos”.
Uma das justificativas apresentadas pela OAB-GO, nas alegações, era de que o delegado estaria realizando monitoramento ostensivo e ininterrupto da advogada, na casa e no escritório dela, por meio de drones. Isso ainda estaria sendo feito sem autorização judicial, configurando violação de domicílio e de privacidade.
Outro argumento utilizado foi uma manifestação do próprio Christian, que afirmou neste sábado (18) que considerou prendê-la novamente após ela compartilhar nas redes sociais conteúdos ofensivos publicados por terceiros.
O presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, reafirmou: “Nenhum cidadão — e muito menos um advogado no exercício de sua função social — pode ser perseguido por criticar o poder público. A OAB-GO não admitirá as intimidações e seguirá acompanhando o caso de perto”.
Em tempo
A situação ganhou repercussão na última quinta-feira (16), depois que Áricka Cunha publicou nas redes sociais um despacho de arquivamento de ocorrência policial, assinado pelo delegado Christian Zilmon.
O documento apontava o arquivamento de um boletim de ocorrência registrado pela advogada, onde ela dizia ter sido ofendida por um funcionário público da cidade, que a havia chamado de “loira idiota”.
Para o delegado, a denúncia não apresentava fatos que se enquadravam como crime. Ele também argumentava que não havia efetivo policial suficiente para atender à solicitação.
Depois que a advogada criticou a decisão, o delegado alegou ter sido ofendido. Por isso, deu voz de prisão imediata, sob acusação de difamação. No vídeo da prisão, que acontece dentro do escritório da profissional, o delegado porta até mesmo um fuzil.
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