Zema defende que crianças possam trabalhar e diz que esquerda criou visão ‘lamentável’
Pré-candidato a presidente afirmou que trabalha desde os 14 anos e disse que acompanhava o pai o dia todo

ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pré-candidato a presidente, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) defendeu nesta sexta-feira (1º), Dia do Trabalho, a ideia de que crianças possam trabalhar no Brasil.
“A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe não sei quantos cents por cada jornal entregue no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando criança. É lamentável, mas tenho certeza que nós vamos mudar isso”, disse ele ao podcast Inteligência Ltda.
A declaração foi dada no final do programa. Zema afirmou que trabalha desde os 14 anos e disse que acompanhava o pai o dia todo, contava parafusos, porcas, e o ajudava a embrulhar as peças.
“Infelizmente, no Brasil, se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar. Eu sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela.”
A Constituição Federal proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos. A única exceção é a condição de menor aprendiz, a partir de 14 anos.
Já a CLT fixa que, apesar de uma autorização condicional, o trabalho do menor de idade não pode ser realizado em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários e locais que não permitam a frequência à escola.
Em vídeo publicado neste sábado (2) nas redes sociais, depois da repercussão da declaração, o ex-governador afirmou que defende, sim, dar oportunidades de trabalho para adolescentes, porque dar “educação e trabalho digno é o que forma caráter, disciplina e futuro”.
Zema lembrou que, no Brasil, isso já é permitido a partir dos 14 anos, mas disse que é necessário ampliar essas oportunidades, “com proteção, sem atrapalhar a escola”.
“Vamos parar com essa hipocrisia”, disse. “Milhões de jovens já trabalham hoje, mas na informalidade, sem regra, sem nenhuma proteção. Somos um país que finge que protege os jovens e as crianças. Essa é que é a verdade. E eu não tenho medo de dizer isso não.”
“Quando um adolescente não encontra o caminho da educação e do trabalho, sabe quem é que oferece oportunidade para ele? O crime. As facções já têm um plano de carreira prontinho para recrutar os adolescentes. Então a escolha é muito simples, ou a gente vira as costas e deixa o jovem à própria sorte, ou a gente abre as portas para ele aprender a trabalhar de forma honesta e construir o seu futuro.”
O mineiro coleciona falas polêmicas ao longo da carreira. Ainda quando estava à frente do Executivo estadual, afirmou que o Sul e o Sudeste são diferentes porque nessas regiões há uma proporção maior de pessoas trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial.
Em entrevista à Folha de S.Paulo no ano passado o então governador também relativizou a ditadura militar. Ele a chamou de “questão de interpretação” se houve ditadura e disse que cabe aos historiadores “debater isso”.
No clima de pré-campanha, Zema tem intensificado as declarações públicas. Mais recentemente, se envolveu em troca de ataques com o STF (Supremo Tribunal Federal) ao publicar vídeos satíricos em que ministros como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli aparecem em convescotes.
Mas a cerca de cinco meses das eleições, o ex-governador soma 4% das intenções de voto para presidente, segundo pesquisa Datafolha de abril. O mineiro está em um patamar abaixo do do presidente Lula (PT), que tem 39%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 35%.
No degrau do ex-governador de Minas, estão Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão), com 2%, Aldo Rebelo (DC), com 1%, e Cabo Daciolo (Mobiliza), com 1%. Brancos e nulos são 10%, e 4% estão indecisos.
O mineiro também é cotado para a vice de Flávio, apesar de uma aliança nesse desenho não ser consensual entre os bolsonaristas.
Como mostrou o Painel, Zema tem dito que vai manter a candidatura até o fim, mas integrantes do Novo não descartam uma composição mais perto das convenções.
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