Conheça a cidade brasileira onde todos os moradores têm o direito de andar de ônibus de graça
Município usa royalties do petróleo para bancar ônibus gratuito, moeda social e políticas públicas de longo prazo

Em meio ao aumento do custo de vida nas cidades brasileiras, um município do Rio de Janeiro decidiu transformar parte de sua arrecadação em políticas públicas que afetam diretamente a rotina da população.
A experiência acontece em Maricá, cidade que se tornou conhecida por combinar programas sociais, moeda própria, poupança pública e uma política de mobilidade que chama atenção dentro e fora do estado.
O ponto mais simbólico desse modelo está nos “Vermelhinhos”, ônibus municipais operados pela Empresa Pública de Transportes (EPT). Criado a partir de 2014, o sistema funciona com Tarifa Zero e permite que moradores, trabalhadores, estudantes e visitantes circulem sem pagar passagem e sem cadastro prévio.
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Segundo a Prefeitura de Maricá, a operação alcança todos os distritos do município, com 49 linhas e mais de 150 ônibus. Em 2025, o sistema chegou a registrar média de 115 mil embarques por dia.
O impacto também aparece no bolso da população. De acordo com a administração municipal, entre janeiro e agosto de 2025, a economia estimada com passagens não pagas ultrapassou R$ 127 milhões.
Na prática, o transporte gratuito aumenta a renda disponível das famílias e reduz uma despesa que costuma pesar no orçamento de quem depende de ônibus todos os dias.
Mas Maricá não se resume à Tarifa Zero. A cidade também criou a moeda social Mumbuca, usada no pagamento de benefícios municipais. Cada mumbuca equivale a R$ 1 e circula no comércio local.

Cartão municipal usado em trocas comerciais com a moeda social Mumbuca (Foto: Divulgação/Prefeitura de Maricá)
Para participar dos programas vinculados à moeda, o morador precisa estar inscrito no Cadastro Único, viver em Maricá há pelo menos três anos e ter renda familiar de até três salários mínimos.
A sustentação financeira desse conjunto de iniciativas vem, em grande parte, dos royalties e participações especiais do petróleo. Em 2025, o município informou ter arrecadado mais de R$ 3,9 bilhões com essas receitas.
Como o petróleo é uma riqueza finita e sujeita a oscilações, Maricá também mantém um Fundo Soberano. O objetivo é guardar parte dos recursos atuais para ajudar a financiar políticas públicas no futuro.
O saldo atualizado do fundo, em maio de 2026, era superior a R$ 2,1 bilhões.
Assim, a cidade onde todos podem andar de ônibus de graça virou mais do que uma curiosidade nacional. Maricá se tornou um teste sobre como usar uma receita extraordinária para tentar construir serviços públicos duradouros.
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