Cientistas descobrem que adaga enterrada com o faraó Tutancâmon no Egito foi feita com metal vindo do espaço

Peça encontrada na tumba do jovem faraó intriga pesquisadores por unir luxo, ciência e simbolismo do Antigo Egito

Gustavo de Souza -
Cientistas descobrem que adaga enterrada com o faraó Tutancâmon no Egito foi feita com metal vindo do espaço
(Imagem: Captura de Tela/YouTube – Quest TV)

Uma lâmina encontrada junto ao corpo de Tutancâmon, há mais de um século, continua revelando detalhes capazes de aproximar o Antigo Egito do cosmos.

O objeto, descoberto durante a abertura da tumba do faraó, impressiona não apenas pelo acabamento refinado, mas também pela história escondida em sua composição.

A tumba foi localizada em 1922 pelo arqueólogo Howard Carter, no Vale dos Reis. Três anos depois, ao desenrolarem as faixas da múmia, os pesquisadores encontraram uma adaga posicionada junto ao corpo do jovem governante.

O segredo revelado pela ciência

O que parecia apenas mais um artefato de luxo da realeza egípcia ganhou nova dimensão após análises científicas. Estudos publicados na revista Meteoritics & Planetary Science confirmaram que a lâmina de ferro foi produzida com material de origem meteorítica.

Para chegar à conclusão, pesquisadores usaram fluorescência de raios X portátil, técnica que identifica a composição química de objetos sem danificá-los. A análise apontou altos índices de níquel e cobalto, elementos compatíveis com meteoritos de ferro.

Esse detalhe é essencial porque, no século XIV a.C., o ferro ainda era extremamente raro no Egito. Diferentemente do ouro, já presente em objetos da elite, o metal tinha forte valor simbólico e era reservado a peças de prestígio.

Entre a realeza e o céu

A adaga de Tutancâmon não era uma arma comum. Com cabo de ouro, acabamento sofisticado e uma lâmina feita de material associado ao céu, ela carregava um significado que ia além da função prática.

Para os egípcios antigos, fenômenos celestes estavam ligados ao sagrado. Por isso, um objeto feito com metal vindo do espaço podia representar poder, raridade e conexão com o divino.

Mais de 3 mil anos depois, a peça segue como um elo entre arqueologia, astronomia e história, mostrando como um fragmento caído do céu se transformou em tesouro digno de um faraó.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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