Segundo a psicologia, os idosos sentem a solidão com mais intensidade não quando estão sozinhos, mas após uma ligação, quando o contraste entre a conexão e o silêncio se torna mais evidente

Especialistas apontam que o contraste entre conexão e silêncio pode tornar o fim de uma conversa mais difícil para alguns idosos

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Segundo a psicologia, os idosos sentem a solidão com mais intensidade não quando estão sozinhos, mas após uma ligação, quando o contraste entre a conexão e o silêncio se torna mais evidente
(Imagem: Ilustração/Arquivo/Agência Brasil)

A solidão na terceira idade costuma ser associada ao tempo que uma pessoa passa sozinha. No entanto, psicólogos e especialistas em envelhecimento observam que determinados momentos do dia podem ter um impacto emocional ainda maior do que o próprio isolamento.

Entre eles está o período logo após o término de uma ligação telefônica. Para muitos idosos, especialmente aqueles que vivem sozinhos ou mantêm pouco contato presencial com familiares e amigos, uma simples conversa pode representar um dos momentos mais importantes do dia.

Durante alguns minutos, o silêncio da casa dá lugar a notícias, lembranças, perguntas e demonstrações de carinho. Quando a chamada termina, porém, algumas pessoas relatam uma sensação de vazio que vai além da ausência de companhia.

Segundo especialistas, o sentimento não surge necessariamente porque a pessoa está sozinha, mas pelo contraste entre dois estados emocionais distintos: a conexão vivida durante a conversa e o retorno ao ambiente silencioso.

Pesquisas sobre envelhecimento e bem-estar emocional indicam que a percepção de solidão está ligada não apenas à quantidade de contatos sociais, mas também à qualidade dessas relações e à sensação de pertencimento.

Por isso, uma ligação agradável pode reforçar a importância dos vínculos afetivos e, ao mesmo tempo, tornar mais evidente a distância física entre familiares e amigos.

A psicóloga clínica Carla Marie Manly explica que a solidão tende a aumentar quando existe uma diferença entre o contato social desejado e o contato que a pessoa realmente mantém no cotidiano.

A ideia é semelhante à apresentada por estudos da AARP, organização norte-americana dedicada ao envelhecimento. As pesquisas apontam que a sensação de isolamento depende muito mais da qualidade percebida dos relacionamentos do que do simples fato de morar sozinho.

Entre os fatores que podem contribuir para esse sentimento estão:

  • Contraste emocional após uma conversa significativa;
  • Desejo de maior proximidade com familiares e amigos;
  • Recordações despertadas durante a ligação;
  • Redução da rede social ao longo dos anos;
  • Menor frequência de encontros presenciais.

Especialistas destacam que pequenas mudanças podem ajudar a tornar o encerramento das ligações mais confortável.

Uma delas é combinar o próximo contato antes de desligar. Frases como “ligo novamente amanhã” ou “vamos conversar no fim de semana” costumam transmitir uma sensação de continuidade.

Outra estratégia é manter contatos mais frequentes, mesmo que sejam breves. Mensagens de texto, áudios, fotos e chamadas de vídeo também ajudam a reforçar a sensação de presença entre uma conversa e outra.

Além disso, incentivar atividades sociais, encontros presenciais, participação em grupos comunitários e contato com amigos pode evitar que toda a necessidade emocional fique concentrada em uma única ligação.

Especialistas em envelhecimento afirmam que o fator mais importante não é necessariamente conversar durante horas, mas cultivar uma conexão regular e previsível.

Muitos idosos convivem bem com momentos de solitude quando sabem que continuam participando ativamente da vida de seus familiares e amigos. O desconforto costuma surgir quando o contato é percebido como raro, incerto ou insuficiente.

Por isso, mais do que prolongar uma conversa, manter uma presença constante pode ser uma das formas mais eficazes de fortalecer os vínculos e reduzir a sensação de isolamento ao longo do tempo.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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