Dono do Frigorífico Goiás é acusado por mulher trans de dar calote, praticar transfobia e fazer ameaças
Empresário goiano Leandro Batista Nóbrega teria deixado de pagar por um programa, ameaçado a acompanhante e oferecido dinheiro para impedir divulgação de um vídeo

O empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás, conhecido nacionalmente pela comercialização da chamada “Picanha Bolsonaro”, foi acusado por uma mulher trans de não pagar por um programa, praticar transfobia e fazer ameaças após uma discussão.
As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (10) pela colunista Milena Teixeira, do portal Metrópoles.
Segundo a reportagem, a acompanhante de luxo, identificada pelo nome fictício de Aline, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no dia 15 de junho, poucas horas após o encontro.
De acordo com o boletim de ocorrência, Leandro já havia procurado Aline em outras ocasiões e voltou a entrar em contato neste ano para contratar um programa.
O encontro ocorreu por volta das 13h, em um apartamento onde a acompanhante atende clientes.
Ainda conforme o registro policial, o desentendimento começou quando o empresário teria manifestado interesse por um tipo de prática sexual que não fazia parte dos serviços oferecidos por Aline.
Após o atendimento, ela afirma ter reconhecido que o cliente era o empresário do Frigorífico Goiás e passou a questioná-lo sobre publicações consideradas transfóbicas feitas por ele nas redes sociais e sobre o fato de contratar os serviços de uma mulher trans.
A conversa evoluiu para uma discussão.

Print do Instagram da vítima divulgado pelo Metrópoles. (Foto: Reprodução/Metrópoles)
Acusação de ameaça
Ainda segundo o boletim de ocorrência exposto pelo Metrópoles, uma filmagem registrou parte do bate-boca entre os dois. Após a discussão, o empresário teria oferecido dinheiro para que o vídeo não fosse divulgado.
Aline afirma ter recusado qualquer proposta e sustenta que nunca pediu dinheiro para manter silêncio sobre o episódio.
Na sequência, conforme o registro policial, Leandro teria passado a acusá-la de extorsão e feito ameaças.
O boletim registra que o empresário teria dito “Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você.”
Além das ameaças, a acompanhante também afirma que o empresário deixou o local sem pagar os R$ 500 combinados pelo programa.

Boletim de ocorrência reproduzido pelo Metrópoles. (Imagem: Reprodução/Metrópoles)
Empresário é conhecido por apoio a Bolsonaro
O empresário reúne cerca de 2,5 milhões de seguidores no perfil oficial do frigorífico e outros 974 mil em sua conta pessoal no Instagram.
Entre as ações que lhe deram repercussão nacional estão a comercialização da chamada “Picanha Bolsonaro”, vídeos de churrascos, campanhas promocionais e publicações de posicionamento político.

Empresário ganhou projeção nacional ao comercializar cortes de carne estampados com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução/Redes sociais/@frigorificogoias)
Defesa
Em resposta ao Portal 6, o advogado de defesa de Leandro afirmou que a acusação é falsa. Além disso, informou que foi autorizado a “tomar providencias contra o jornal, seus proprietários, autor da matéria, bem como, todos os que republicaram ou pretendem republicar”.
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