Nem Sudoku, nem palavras cruzadas: o melhor exercício para estimular o cérebro e preservar a memória
Uma atividade cotidiana pode desafiar diferentes funções mentais sem exigir equipamentos especiais

Durante anos, Sudoku, palavras cruzadas e outros passatempos foram associados ao treinamento da mente. Essas atividades continuam sendo opções interessantes para manter o cérebro ativo, mas pesquisas também vêm investigando uma prática que exige atenção, memória, aprendizado e adaptação ao mesmo tempo: aprender e usar um novo idioma.
Revisões científicas apontam que o bilinguismo pode estar relacionado a pequenas vantagens em algumas funções cognitivas, principalmente entre pessoas mais velhas.
Aprender outra língua exige mais do que decorar palavras. A pessoa precisa reconhecer sons, lembrar significados, escolher termos, organizar frases e alternar entre diferentes formas de comunicação.
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Esse conjunto de tarefas pode estimular processos ligados ao controle da atenção e à memória de trabalho. Uma revisão de estudos com adultos mais velhos encontrou resultados que sugerem possíveis ganhos em troca de atenção, inibição de respostas e memória de trabalho, embora os efeitos não sejam iguais em todas as pesquisas.
Aprendizado constante
Um dos pontos de interesse dos pesquisadores é a chamada reserva cognitiva, conceito usado para explicar a capacidade do cérebro de lidar melhor com alterações relacionadas ao envelhecimento.
O uso frequente de mais de um idioma aparece entre os fatores estudados nesse contexto. Uma revisão de 2023, porém, destacou que os resultados sobre a influência do bilinguismo no risco e na idade de aparecimento da demência ainda são inconclusivos.
Isso significa que aprender inglês, espanhol, francês ou qualquer outra língua não deve ser apresentado como uma forma garantida de prevenir Alzheimer ou outras doenças.
Uma meta-análise encontrou associação entre bilinguismo e manifestação mais tardia de sintomas de Alzheimer, mas os próprios pesquisadores apontaram a necessidade de estudos mais rigorosos.
Outra revisão, com estudos prospectivos, não encontrou evidência suficiente para afirmar que o bilinguismo, sozinho, proteja contra demência.
Como começar
Para transformar o aprendizado em estímulo mental, não é necessário dominar uma língua rapidamente. O mais importante é manter contato frequente com o novo idioma, por meio de leitura, conversação, exercícios de compreensão, músicas ou aulas.
Pesquisas recentes também indicam que o nível de domínio e o uso ativo da segunda língua podem influenciar os resultados cognitivos.
Assim, mais do que procurar um único exercício capaz de preservar a memória, a estratégia mais consistente é manter o cérebro envolvido em atividades novas, variadas e desafiadoras ao longo da vida.
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