Geração Z está perdendo habilidade que a humanidade possui há mais de 5.500 anos

Uso excessivo de telas, inteligência artificial e comunicação digital estão fazendo jovens abandonarem uma das capacidades mais antigas e fundamentais da civilização

Isabella Valverde Isabella Valverde -
Geração Z está perdendo habilidade que a humanidade possui há mais de 5.500 anos
(Foto: Reprodução/Pexels)

Uma habilidade criada há mais de 5.500 anos, responsável por registrar a história, organizar sociedades e transmitir conhecimento entre gerações, está sendo cada vez menos dominada pela Geração Z. Trata-se da escrita manual, prática que surgiu com os primeiros sistemas de escrita da humanidade, como a cuneiforme e os hieróglifos.

Com a popularização de smartphones, computadores, comandos de voz e inteligência artificial, escrever à mão deixou de ser rotina para milhões de jovens — e especialistas alertam que isso pode trazer impactos cognitivos, educacionais e até sociais.

O que está acontecendo com a escrita?

Estudos recentes mostram que muitos jovens têm dificuldade para escrever textos longos à mão, manter caligrafia legível ou até mesmo assinar documentos sem esforço.

Em alguns países, escolas já reduziram ou eliminaram o ensino sistemático da escrita cursiva, priorizando digitação e recursos digitais.

Embora a tecnologia tenha facilitado a comunicação, ela também diminuiu o contato com o processo físico da escrita — que envolve coordenação motora, memória e raciocínio.

Por que a escrita manual é tão importante?

A escrita à mão ativa áreas do cérebro ligadas à memória, atenção, compreensão e aprendizado. Diferente da digitação, ela exige maior envolvimento cognitivo, o que ajuda na fixação de informações.

Pesquisas em neurociência indicam que estudantes que escrevem à mão tendem a compreender melhor o conteúdo, organizar melhor as ideias e lembrar com mais facilidade do que foi aprendido.

O papel das telas e da inteligência artificial

O crescimento do uso de celulares, tablets e ferramentas de IA acelerou ainda mais esse processo. Hoje, textos são digitados, corrigidos automaticamente ou até gerados por comandos de voz — o que reduz o esforço mental envolvido na produção escrita.

Além disso, a comunicação rápida por mensagens curtas, emojis e áudios contribui para o empobrecimento da escrita formal e da construção de argumentos mais complexos.

Impactos que vão além da sala de aula

A perda da escrita manual não afeta apenas o desempenho escolar. Ela também interfere na expressão pessoal, na criatividade e na capacidade de concentração.

Especialistas apontam que jovens que raramente escrevem à mão apresentam maior dificuldade para organizar pensamentos e lidar com tarefas que exigem foco prolongado.

Há ainda um impacto cultural: documentos históricos, cartas, diários e registros manuscritos sempre foram parte essencial da identidade humana. Abandonar essa prática significa romper com uma tradição milenar.

É possível reverter esse cenário?

Educadores defendem o equilíbrio. A tecnologia não precisa ser descartada, mas a escrita manual deve continuar sendo estimulada desde a infância.

Atividades como anotações à mão, redações, diários e exercícios de caligrafia ajudam a preservar essa habilidade.

Pais e escolas têm papel fundamental nesse processo, incentivando momentos longe das telas e valorizando o contato direto com o papel e a caneta.

Uma habilidade antiga em risco moderno

A escrita manual sobreviveu a guerras, revoluções e mudanças profundas na história da humanidade. Agora, enfrenta um novo desafio: a era digital. O alerta não é contra a tecnologia, mas a favor do equilíbrio.

Preservar essa habilidade milenar pode ser essencial para garantir não apenas melhor aprendizado, mas também uma conexão mais profunda com o que nos torna humanos.

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Isabella Valverde

Isabella Valverde

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com passagens por veículos como a TV Anhanguera, afiliada da TV Globo no estado. É editora do Portal 6 e especialista em SEO e mídias sociais, atuando na integração entre jornalismo de qualidade e estratégias digitais para ampliar o alcance e o engajamento das notícias.

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