Fim da escala 6×1: como fica a situação de quem trabalha 12×36
Proposta em debate no Congresso prevê reduzir a jornada semanal e ampliar folgas, o que pode levar empresas a reorganizarem escalas de plantão em serviços essenciais

A discussão sobre o fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate nacional e reacendeu dúvidas entre trabalhadores que atuam em outros formatos de jornada.
Entre eles, está quem cumpre escala 12×36, muito comum em áreas como saúde, segurança e portaria, onde o serviço não pode parar.
A proposta defendida por parlamentares prevê reduzir a carga semanal e garantir mais dias de descanso ao trabalhador, sem redução salarial.
Apesar de o foco principal ser o modelo em que se trabalha seis dias e folga um, o impacto pode alcançar também escalas especiais, dependendo de como o texto final for aprovado.
A escala 12×36 funciona com 12 horas seguidas de trabalho e 36 horas de descanso. Ela é reconhecida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e foi regulamentada com mais clareza após mudanças na legislação trabalhista, permitindo que o regime seja adotado por acordo, respeitando regras específicas.
Na prática, o 12×36 não é a mesma coisa que a escala 6×1, porque não segue a lógica de seis dias consecutivos com apenas um de folga.
Mesmo assim, ele pode entrar no debate por outro motivo: o número total de horas trabalhadas ao longo de uma semana ou de um mês.
O principal ponto que pode mexer com a escala 12×36 é a intenção de limitar a jornada semanal para até 36 horas.
Isso porque, dependendo da montagem da escala, há semanas em que o trabalhador faz três plantões, somando 36 horas, mas também existem períodos em que ele pode fazer quatro plantões, chegando a 48 horas semanais.
Se a regra passar a ser aplicada como um teto semanal mais rígido, empresas que operam em turnos contínuos podem precisar reorganizar equipes, contratar mais profissionais ou criar um rodízio diferente para evitar ultrapassar o limite permitido.
Mesmo assim, a tendência é que o regime 12×36 não desapareça automaticamente. Como ele já existe e é usado em serviços essenciais, o mais provável é que, caso a nova regra avance, ocorram ajustes na frequência de plantões, nos ciclos mensais e na distribuição das folgas, para manter a jornada dentro do que a legislação passar a exigir.
Outra dúvida comum envolve o salário. As propostas ligadas ao fim do 6×1 são associadas à ideia de reduzir a jornada sem reduzir a remuneração, mas ainda não há um texto definitivo aprovado que detalhe como isso seria aplicado em todos os setores e escalas.
Por enquanto, nada muda para quem trabalha em 12×36. A escala segue válida e permitida pelas regras atuais da CLT, e qualquer alteração só poderá ocorrer após aprovação final no Congresso e definição de como o novo limite de jornada será implementado.







