Família denuncia assédio contra jogador de 13 anos do Atlético-GO durante competição em SP

Em nota, clube declarou que repudia atitudes do tipo e condena qualquer forma de assédio moral ou sexual

Gabriella Pinheiro Gabriella Pinheiro -
Família denuncia assédio contra jogador de 13 anos do Atlético-GO durante competição em SP
(Foto: Reprodução/ Tiktok)

Uma familiar de um jogador de apenas 13 anos, representante do Atlético-GO, usou as redes sociais para denunciar que o adolescente teria sofrido assédio dentro de um alojamento durante um campeonato realizado em Itapetininga, no interior de São Paulo.

Na gravação compartilhada na última segunda-feira (26), Camila Marques, madrasta do jovem, afirma que a situação teria ocorrido após o enteado — a quem ela se refere como filho — ser convidado para representar o time goiano em uma competição fora do estado, onde chegou no dia 11 de janeiro.

O adolescente foi acompanhado por uma funcionária da mulher e do marido.

Segundo Camila, enquanto estava alojado com cerca de 40 crianças, o menor teria sido abordado por um homem identificado como Wagner, que teria se apresentado como diretor do Atlético-GO.

Na manhã seguinte, ainda conforme o relato, o treinador do clube teria ligado relatando uma confusão envolvendo os meninos e a mulher que os acompanhava. De acordo com Camila, o adolescente contou que um motorista de ônibus do Atlético-GO teria entrado no alojamento durante a madrugada.

“Estávamos dormindo e entrou um homem alterado de madrugada dentro do alojamento, fumando cigarro, e acordou a Jane com uma lanterna no rosto, questionando quem ela era e mandando que saísse do local”, relatou o jovem à madrasta.

Após o episódio, Camila orientou que o enteado e a funcionária se hospedassem em um hotel. No entanto, segundo ela, o treinador teria ameaçado retirar o adolescente do campeonato caso isso ocorresse.

Ainda conforme o relato, após a confusão, um novo alojamento foi disponibilizado, localizado no salão paroquial de uma igreja da região, para o adolescente e a funcionária.

Foi nesse local que, segundo Camila, o assédio teria ocorrido. Ela afirma que o enteado foi abordado por um cozinheiro, com idade estimada entre 30 e 40 anos, que teria feito elogios ao corpo do adolescente e dormido no chão do alojamento.

Ainda de acordo com a denúncia, o mesmo homem teria seguido o menor até o banheiro. A vítima conseguiu entrar em uma das cabines e trancar a porta. O adolescente gravou parte da conversa e relatou o ocorrido aos pais.

“Foram sete minutos de áudio de um homem adulto tentando convencer o meu filho de que tudo bem ele ficar ali, já que não quer namorar nem casar. Meu filho estava coagido, com muito medo de sair da cabine, sem saber se ele estava armado. Até que teve coragem de sair do banheiro e correr para a sala”, relatou Camila.

Ela também afirma que o homem que se apresentou como diretor teria ameaçado o adolescente para que ele não contasse o ocorrido a ninguém.

Em nota enviada à imprensa, o Atlético Clube Goianiense declarou que “repudia, com a máxima veemência, quaisquer atitudes de cunho homofóbico, racista, machista ou xenofóbico, e condena de forma veemente qualquer tipo de assédio moral ou sexual contra crianças e adolescentes”.

O clube ressaltou ainda que os fatos narrados ocorreram fora das dependências do Atlético Goianiense e que, ao tomar conhecimento das denúncias apresentadas pela responsável legal do menor — que envolvem relatos de assédio, expulsão de alojamento e condutas inapropriadas por parte de terceiros —, adotou providências imediatas.

“O clube designou seu vice-presidente executivo, bem como toda a estrutura do Departamento de Psicologia, para atuar na apuração dos fatos, acolher a família e prestar todo o suporte necessário neste momento delicado”, informou a nota.

Leia a nota completa: 

“O Atlético Clube Goianiense vem a público manifestar-se sobre o vídeo e os relatos que circulam nas redes sociais envolvendo um atleta menor de idade, residente no Rio de Janeiro, que participou recentemente de um torneio no interior de São Paulo.

Diante da gravidade das denúncias apresentadas, o Clube julga necessário esclarecer os fatos e reiterar seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes:

Posicionamento Institucional: O Atlético Goianiense repudia, com a máxima veemência, quaisquer atitudes de cunho homofóbico, racista, machista ou xenofóbico, e condena abominavelmente qualquer forma de assédio moral ou sexual contra crianças e adolescentes. Tais comportamentos são inadmissíveis e não representam, em hipótese alguma, os princípios que regem este Clube.

Da Responsabilidade pela Delegação: O Atlético Goianiense esclarece que o convite para o atleta disputar a referida competição partiu de umas das suas escolinhas franqueadas, sendo que o responsável legal por esta unidade estava presente no local e acompanhando a delegação. Embora o Clube não possua ingerência administrativa direta sobre a gestão cotidiana das unidades franqueadas, inclusive participação em torneios, exigimos destas parceiras o mais alto padrão de cuidado, segurança e respeito no trato com menores de idade, condizente com a história e os valores da nossa instituição.

Do Acolhimento à Família: Ao tomar conhecimento das denúncias narradas pela responsável pelo menor, que envolvem relatos de assédio, expulsão de alojamento e condutas inapropriadas por parte de terceiros, o Atlético Goianiense agiu prontamente. O Clube designou-o seu Vice-Presidente Executivo, bem como toda a estrutura do seu Departamento de Psicologia, para atuar na apuração dos fatos, acolher a família e prestar todo o suporte necessário neste momento delicado.

Compromisso com a Justiça: É importante ressaltar que os fatos relatados ocorreram fora das dependências do Atlético Goianiense, especificamente em um alojamento disponibilizado pela organização do torneio no interior do Estado de São Paulo. No entanto, isso não exime o nosso compromisso com a verdade. O Clube assegura que não poupará esforços para buscar o total esclarecimento do ocorrido e auxiliará as autoridades competentes na responsabilização criminal e civil de qualquer pessoa, seja ela ligada a uma franquia, à organização do evento ou terceiros, que tenha causado danos emocionais, físicos ou morais ao menor e sua família.

O Atlético Goianiense reafirma sua solidariedade ao atleta e seus familiares e continuará acompanhando o caso com o rigor que a situação exige.

Atlético Clube Goianiense”

Veja o vídeo: 

 

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Gabriella Pinheiro

Gabriella Pinheiro

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, está sempre atenta aos temas que impactam o dia a dia da população. Começou como estagiária no Portal 6 e, com dedicação e olhar apurado, chegou à editoria. Tem interesse especial na prestação de serviços, mas não dispensa uma boa reportagem ou uma história bem contada.

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