Muito quente: rio na Amazônia atinge mais de 90 °C e chega a matar animais que caem em suas águas

No Peru, o rio Shanay-timpishka atinge temperaturas extremas e intriga cientistas ao ferver água no meio da floresta amazônica

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Muito quente: rio na Amazônia atinge mais de 90 °C e chega a matar animais que caem em suas águas
(Foto: Reprodução/Captura de Tela/YouTube)

No coração da Amazônia peruana, um rio desafia tudo o que se conhece sobre cursos d’água naturais. Com temperaturas que passam dos 90 °C e chegam perto da ebulição, o Shanay-timpishka é capaz de matar animais que caem em suas águas. O fenômeno impressiona, assusta e virou objeto de estudos científicos e alertas climáticos.

Por que o rio atinge temperaturas extremas

Apesar do nome indígena sugerir calor do sol, a explicação não vem da superfície. O Shanay-timpishka percorre falhas geológicas profundas, por onde águas subterrâneas aquecidas emergem naturalmente.

O geocientista peruano Andrés Ruzo mediu temperaturas próximas de 100 °C em vários trechos. Em alguns pontos, a água chega ao limite da ebulição, tornando o contato quase sempre fatal.

Segundo Ruzo, animais que caem no rio não conseguem escapar. O calor extremo provoca queimaduras imediatas e faz com que o corpo “cozinhe” em poucos instantes.

O que as pesquisas recentes revelaram

Em 2024, cientistas dos Estados Unidos e do Peru instalaram 13 sensores ao longo do rio para medir a temperatura do ambiente. Durante um ano, os dados mostraram contrastes intensos entre áreas próximas e mais distantes da água fervente.

Enquanto regiões mais frescas marcaram média de 24 °C, zonas próximas ao rio chegaram a quase 45 °C. O calor não afeta apenas a água, mas todo o ecossistema ao redor.

A análise da vegetação revelou queda acentuada na diversidade de plantas. Espécies sensíveis desapareceram, enquanto plantas adaptadas ao calor passaram a dominar o cenário.

Um laboratório natural para o futuro do clima

Para os pesquisadores, o rio funciona como um laboratório a céu aberto sobre aquecimento global. A floresta ao redor mostra sinais claros de estresse térmico, mesmo em um ambiente úmido.

Árvores mais resistentes, como a Ceiba, sobrevivem. Outras, como a Guarea grandifolia, sofrem com o calor intenso e têm dificuldade de se manter.

Além do valor científico, o Shanay-timpishka é considerado sagrado por comunidades amazônicas. Especialistas alertam que proteger a floresta é essencial para evitar impactos climáticos globais, já que a perda da Amazônia pode liberar grandes volumes de carbono na atmosfera.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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