Segundo a psicologia, pessoas que cresceram nos anos 1980 evitam falar sobre emoções

Psicologia aponta que ambientes rígidos e pouco diálogo explicam por que quem cresceu nos anos 1980 pode falar pouco sobre sentimentos

Gustavo de Souza -
Segundo a psicologia, pessoas que cresceram nos anos 1980 evitam falar sobre emoções
(Foto: Ilustração/Freepik)

Falar abertamente sobre sentimentos ainda é um desafio para muitos adultos que cresceram nos anos 1980. A psicologia aponta que a forma como emoções foram tratadas durante a infância e adolescência pode moldar a maneira como elas são expressas na vida adulta.

Para especialistas, não se trata de uma regra absoluta, mas de um padrão geracional influenciado pelo contexto cultural da época. Disciplina, autocontrole e resiliência eram valores amplamente incentivados, enquanto conversas sobre vulnerabilidade raramente faziam parte do cotidiano familiar.

Cultura da autossuficiência

Durante os anos 1980, muitas crianças passaram a lidar com maior independência dentro de casa, especialmente em famílias nas quais os pais trabalhavam longas jornadas. Esse cenário contribuiu para o desenvolvimento de uma mentalidade baseada na autonomia e na resolução individual de problemas.

Segundo a American Psychological Association (APA), suprimir emoções pode se tornar um mecanismo de regulação quando sentimentos são vistos como obstáculos à estabilidade ou ao desempenho.

Com o tempo, essa prática pode dificultar a identificação e a expressão de emoções mais complexas.

Influências familiar e escolar

Naquele período, conversas familiares tendiam a priorizar resultados práticos, como desempenho escolar ou comportamento, e falar sobre seus próprios sentimentos não era algo comum ou até mesmo bem visto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o ambiente de infância influencia diretamente o desenvolvimento emocional e social ao longo da vida.

Nas escolas, a realidade também era diferente. Situações de bullying, por exemplo, eram frequentemente tratadas como parte natural do crescimento. De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), agência nacional de saúde pública dos Estados Unidos, experiências negativas na infância podem afetar o bem-estar emocional e a forma como indivíduos lidam com conflitos e estresse.

Efeitos na vida adulta

Na vida adulta, esse padrão pode se manifestar de diversas maneiras: dificuldade para pedir ajuda, uso de humor ou sarcasmo como defesa e foco excessivo em produtividade.

Mas há caminhos para acabar com essa solidão. Fazer terapia, cuidar da saúde mental e conviver em espaços onde o diálogo é aberto e seguro ajudam a desenvolver novas formas de reconhecer e comunicar emoções.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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