Fim das 44 horas de trabalho semanais: nova lei reduz jornada para 36 horas e muda rotina dos trabalhadores desta categoria

PEC aprovada na CCJ do Senado muda a referência do piso da enfermagem, mas proposta ainda depende de aval do Congresso

Gustavo de Souza -
Fim das 44 horas de trabalho semanais: nova lei reduz jornada para 36 horas e muda rotina dos trabalhadores dessa categoria
(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Uma mudança aguardada há anos pela enfermagem voltou ao centro do debate em Brasília e reacendeu a expectativa de milhares de profissionais em todo o país.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 19/2024, que altera de 44 para 36 horas semanais a jornada usada como referência para o cálculo do piso salarial da categoria.

A proposta busca corrigir um dos principais impasses surgidos desde a criação do piso nacional. Hoje, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o pagamento considera como base uma jornada de 44 horas semanais, com repasse proporcional nos casos de carga horária menor.

Se a PEC avançar no Congresso, enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras passarão a ter o piso vinculado a uma jornada semanal de 36 horas.

Para entidades da área, a mudança representa um passo importante para tornar a remuneração mais justa, especialmente para profissionais que atuam sob escalas diferentes da referência atual.

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) comemorou a aprovação na CCJ. O presidente da entidade, Manoel Neri, afirmou que a proposta corrige uma distorção histórica no cálculo do piso e representa um avanço concreto na valorização da enfermagem brasileira.

Apesar da repercussão positiva, a nova regra ainda não está valendo. Após a aprovação na CCJ, a PEC ainda precisa passar pelo plenário do Senado e, na sequência, pela Câmara dos Deputados. Só depois disso poderá entrar em vigor.

O texto original, apresentado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), previa jornada de 30 horas semanais. No entanto, o relator, senador Fabiano Contarato (PT-ES), apresentou uma emenda fixando o teto em 36 horas, numa tentativa de ampliar as chances de aprovação da proposta.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiário do Portal 6.

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