Campinas faz 216 anos: como imigração alemã ajudou a transformar bairro em um dos principais polos comerciais de Goiânia

Região começou como um pequeno arraial, crescendo como vila e município autônomo antes de ser incorporado pela capital

Ícaro Gonçalves -
Setor Campinas, em Goiânia
Praça Joaquim Lúcio na década de 1940 (Foto: Reprodução)

Dia 08 de julho é uma data especial para Goiânia e, principalmente, para os moradores do setor Campinas. Nesta data, o bairro mais antigo da capital completa 216 anos, acumulando histórias que ainda hoje atraem a curiosidade dos goianos.

As centenárias ruas do setor, pelas quais diariamente atravessam milhares de goianienses, remontam aos primeiros anos do século XIX.

Fundada em 1810, a região começou como um pequeno arraial, o Arraial de Campinas, que se desenvolveu em torno da agropecuária e de atividades mineradoras remanescentes.

O ritmo de crescimento era pacato, marcado pelas tradições rurais e pela calmaria típica do interior goiano. A virada na história da região começou a se desenhar em 1894, com a chegada de padres redentoristas vindos da Alemanha.

Os religiosos desembarcaram e se estabeleceram na região a pedido de Dom Eduardo Duarte da Silva, então bispo de Goiás, que foi pessoalmente à Alemanha pedir auxílio para a missão de evangelizar e estruturar a comunidade que se expandia.

A viagem não foi fácil. Segundo um artigo da Arquidiocese de Goiânia, os padres chegaram ao Brasil no dia 21 de outubro de 1894. Depois, enfrentaram 26 dias de viagem a cavalo, percorrendo 460 km, até chegar a Goiás.

Aquele foi o início da missão redentorista no estado. Segundo a Arquidiocese, “eram homens inteligentes e preparados; tinham conhecimentos sobre arquitetura, engenharia, música, filosofia, teologia, e cultura geral”.

Anos mais tarde, em outra missão redentorista de origem alemã, chegou ao estado um dos religiosos mais importantes da história da capital, o Padre Pelágio Sauter.

Atuação dos padres alemães em Campinas

A atuação dos religiosos germânicos, iniciada no fim do século XIX, foi muito além das funções estritamente espirituais e transformou a realidade do povoado.

Eles impulsionaram a infraestrutura local com a edificação de escolas oficiais, além de oficinas profissionalizantes ligadas à serralheria e a fabricação de vinhos.

Na virada para o século XX, a influência alemã introduziu aos moradores do povoado novas técnicas de trabalho e um forte senso de organização urbana, por exemplo, com a adoção da energia elétrica para iluminação.

Graças a esse dinamismo cultural e econômico, o povoado consolidou uma vocação mercantil e começou a atrair mais moradores de diversas redondezas, tornando-se vila em 1907, nomeada Campininha das Flores.

Gradativamente, o local deixou de ser apenas um ponto de passagem para se firmar como uma referência de abastecimento regional. Em 1914, a região se emancipou e se tornou município, o que durou até o ano de 1935, com o projeto de construção da nova capital do estado.

A pacata Campininha acabou sendo incorporada ao município de Goiânia. Longe de perder sua identidade marcante após a anexação, o território se transformou no verdadeiro coração comercial da nova capital.

Hoje, o dinâmico setor é famoso em todo o estado por sua vibrante variedade de lojas, confecções e serviços populares.

Vista aérea do bairro de Campinas, em Goiânia. (Foto: Joabe Mendonça/ Prefeitura de Goiânia)

Vista aérea do bairro de Campinas, em Goiânia. (Foto: Joabe Mendonça/ Prefeitura de Goiânia)

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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