10 anos: relembre caso de estudantes da Anhanguera de Anápolis que atacaram lojas e feriram pessoas com bolas de gude em Goiânia
Conforme investigações à época, grupo percorria ruas em um carro, disparando contra estabelecimentos e transeuntes por "diversão"

Um caso que chocou Goiânia em 2016 completou 10 anos no mês de maio. Na época, quatro estudantes de Medicina Veterinária da então Faculdade Anhanguera de Anápolis foram apontados como responsáveis por uma série de ataques cometidos em Goiânia com estilingues, bolas de gude e pedras.
As investigações da Polícia Civil duraram cerca de 30 dias e identificaram o grupo após diversos registros de vandalismo e agressões na capital.
Segundo a apuração, os jovens percorriam ruas e avenidas em um Ford Focus branco, disparando contra fachadas de concessionárias, lojas e até pessoas que estavam nas vias públicas.
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Os principais alvos eram vidraças de estabelecimentos comerciais, especialmente concessionárias de veículos, que tiveram enormes prejuízos após os ataques. Ao todo, pelo menos 11 empresas tiveram fachadas destruídas.
Além dos danos materiais, o caso ganhou repercussão ainda maior após vítimas relatarem ferimentos graves provocados pelas bolinhas de gude lançadas com estilingues.
“Eu caí, perdi três dentes, cortei a boca e a língua”, relatou à época.
Conforme divulgado na ocasião, o homem precisou passar por tratamento odontológico e foi informado de que teria de extrair os demais dentes devido às sequelas.

Jocilam Cruz da Silva foi uma das vítimas do grupo de estudantes. (Foto: Reprodução)
Prisões e investigação
Os estudantes Adriano Araújo Dias, Ygo Murilo Maria Silva e Antônio Carlos Vieira Filho chegaram a ser presos durante a investigação. Uma quarta integrante, identificada posteriormente como Andressa Gomes Ramos, também foi apontada como participante das ações.
Segundo o então delegado responsável pelo caso, Thiago Damasceno, os próprios investigados admitiram os ataques, mas não conseguiram explicar claramente a motivação.
“Acreditamos que faziam isso para se divertir. Era molecagem, mas uma molecagem criminosa”, afirmou o delegado na época.
Inicialmente, os suspeitos foram investigados por crimes como dano ao patrimônio, lesão corporal, associação criminosa e tentativa de homicídio. O juiz Jesseir Coelho chegou a decretar prisão preventiva dos envolvidos, destacando o risco de reincidência.
Posteriormente, o enquadramento por tentativa de homicídio acabou desclassificado, e o grupo passou a responder por lesão corporal e danos ao patrimônio.
Processo em liberdade
Mesmo após as prisões, os universitários responderam ao processo em liberdade. O caso também chamou atenção pelo perfil dos envolvidos, descritos na época como jovens de classe média moradores de bairros nobres de Goiânia, como Bueno e Nova Suíça.
As investigações apontaram que parte das vítimas sequer havia percebido que tinha sido alvo do grupo até o caso ganhar repercussão na imprensa.
A reportagem do Portal 6 apurou a situação atual do caso na Justiça de Goiás e identificou que os quatro estudantes foram condenados, em dezembro de 2022, a pagar a Jocilam a indenização de R$ 30 mil, com juros retroativos ao dia 26 de abril de 2016 (data do ocorrido).
Atualmente, apenas o processo relativo à indenização de Ygo Murilo Maria Silva segue tramitando no Poder Judiciário.
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