Perto dos 300 anos, cidade de Goiás quer reparação histórica por perda da capital para Goiânia
Prefeitura trabalha para atualizar projeto de compensação de 1936, mas que nunca chegou a ser aprovado

Com a proximidade dos 300 anos desde a fundação da cidade de Goiás, a prefeitura do município planeja intensificar as tratativas em busca de uma compensação histórica pela transferência definitiva da capital estadual para Goiânia, oficializada em 1937.
Em entrevista ao Portal 6, o prefeito Aderson Gouvea (PT) afirmou que a gestão municipal resgatou um antigo projeto de lei que previa investimentos compensatórios para a antiga capital goiana. Segundo ele, a proposta chegou a tramitar à época, mas nunca foi concluída.
“Lá em 1936, quando da ocasião da transferência da capital, tramitou um projeto de lei para compensar a cidade”, afirmou. “Vai tirar a capital, mas a cidade teria investimento nessa área de infraestrutura e uma série de outros quesitos”.
- Indústria de Goiás pode sofrer impactos com tarifa adicional dos EUA; veja setores que mais preocupam
- Estudante da UFG vai à Justiça após ser vítima de comentário racista em grupo de WhatsApp: “nunca tinha passado por uma situação como essa”
- Conheça a cidade de Goiás que supera Goiânia em qualidade de vida
O prefeito disse que a Prefeitura trabalha agora na atualização desse projeto para os dias atuais. A ideia é apresentar ao governo estadual uma nova proposta de investimentos estruturantes para o município.
“O que nós queremos é uma reparação histórica, uma compensação na verdade”, declarou.
Segundo Aderson, a mudança da capital provoco impactos econômicos profundos na cidade. Ele relembrou que órgãos públicos, instituições de ensino e estruturas administrativas deixaram o município após a transferência para Goiânia.
“Nós tínhamos universidades, curso de Direito, Farmácia, Odontologia. Tínhamos a Escola de Aprendizes e Artífices, que hoje é o Instituto Federal. Tudo isso foi embora. Então há um prejuízo financeiro gigante”, disse à reportagem.
O prefeito também afirmou que a perda da capital reduziu drasticamente a circulação econômica da cidade. Para ele, a compensação prometida à época teria justamente o objetivo de evitar o esvaziamento do município.
“A cidade deixou de ter esses cargos, a circulação de dinheiro caiu muito. Foi um golpe duro”, comentou.

Constituição estadual de agosto de 1935 previa compensação ao município (Imagem: Reprodução/Biblioteca IHGG)
Objetivos com a compensação
A gestão municipal pretende incluir no pacote de reivindicações obras de infraestrutura urbana e investimentos ambientais.
Entre os principais pontos citados por Aderson Gouvea estão melhorias no calçamento histórico, drenagem urbana, saneamento básico e ações voltadas à preservação do Rio Vermelho.
Além disso, também faz parte do plano a possível implantação de um curso de medicina no município, como dito pelo prefeito ao Tribuna do Planalto.
De acordo com o prefeito de Goiás, a despoluição do rio é uma das prioridades para os 300 anos da cidade. Já existe um acordo firmado com a Saneago para eliminar o despejo de esgoto no leito do rio até 2027.
“Está acordado que até 2027 a Saneago precisa deixar o Rio Vermelho isento de qualquer tipo de poluição”, disse. “Isso é termo assinado com a Saneago e com o Governo do Estado.”
A Prefeitura também quer ampliar investimentos em contenção de enchentes, recuperação do cais do Rio Vermelho e garantia de abastecimento hídrico por meio de captação no Rio Uru.
Segundo Aderson, a cidade vive um momento de expansão e os investimentos são necessários para sustentar o crescimento populacional.
Apesar da cobrança por investimentos, o prefeito afirmou que pretende conduzir as negociações de forma institucional. Ele disse acreditar que a pauta deva sensibilizar o governo estadual e os deputados.
“Ninguém vai brigar contra ninguém. Nós vamos trabalhar numa pauta de diálogo com o Governo do Estado e com os parlamentares”, finalizou.
Siga o Portal 6 no Instagram: @portal6noticias e fique por dentro das últimas notícias de Goiás!






