Tijolo cerâmico, solo-cimento ou bloco de concreto: veja a diferença e qual é o melhor para construir uma casa, segundo pedreiros

Preço não deve ser o único critério na compra, já que características do projeto e a qualidade das peças interferem no resultado final

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Mistura conhecida em pequenas reformas tem uma lógica por trás, mas exige atenção ao tipo de cola e ao local onde será aplicada
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial/ChatGPT)

Quem começa a construir uma casa logo encontra uma dúvida capaz de interferir no orçamento, no andamento da obra e até no desempenho das paredes: afinal, qual material usar na alvenaria?

Entre as alternativas mais conhecidas estão os blocos cerâmicos, os tijolos de solo-cimento e os blocos de concreto. Apesar de cumprirem funções semelhantes, eles possuem características diferentes e não existe uma opção que possa ser considerada a melhor para qualquer residência.

A escolha deve considerar o projeto, a função da parede, as dimensões das peças, o sistema construtivo, a mão de obra disponível e a qualidade do produto.

Tijolo cerâmico

Muito presente nas obras brasileiras, o bloco cerâmico pode ser utilizado tanto em sistemas de vedação quanto, quando produzido para essa finalidade e especificado em projeto, em alvenaria estrutural.

As cavidades existentes nas peças interferem no comportamento térmico das paredes. No entanto, não é correto afirmar que qualquer bloco cerâmico será necessariamente mais confortável termicamente do que qualquer bloco de concreto.

O desempenho depende do conjunto completo da parede, incluindo espessura, geometria das peças, revestimentos e condições climáticas. Sistemas com blocos cerâmicos são avaliados de acordo com requisitos técnicos de desempenho das edificações.

Solo-cimento exige controle na fabricação

Os tijolos de solo-cimento são produzidos pela combinação de solo, cimento e água, seguida de compactação e cura, sem a necessidade da queima usada na fabricação de peças cerâmicas.

Nesse caso, a qualidade depende bastante da composição do solo, da quantidade de estabilizante, da umidade e do nível de compactação aplicado na produção.

Estudos técnicos disponibilizados pela Caixa apontam que diferentes tipos de solo exigem proporções específicas e que uma compactação adequada interfere diretamente na resistência final das peças.

Por isso, a simples aparência uniforme do tijolo não basta para comprovar que ele possui qualidade adequada para uma construção.

E o bloco de concreto?

Os blocos de concreto também podem aparecer tanto em paredes de vedação quanto em sistemas estruturais, desde que sejam utilizados de acordo com o projeto e as normas correspondentes.

Uma das vantagens está na padronização dimensional das peças, que pode favorecer a racionalização da alvenaria. Em sistemas estruturais, porém, resistência dos blocos, argamassa, graute, armaduras e execução precisam obedecer ao dimensionamento da obra.

A Associação Brasileira de Cimento Portland destaca que a resistência de uma parede depende do conjunto da alvenaria e das características dos componentes utilizados.

Ensaios reunidos em manual técnico também mostram que paredes feitas com blocos de concreto podem atender aos requisitos de desempenho estrutural, térmico, acústico, de estanqueidade e resistência ao fogo, desde que o sistema especificado seja adequado.

Então, qual é o melhor?

Para uma casa, não existe vencedor automático entre os três materiais. O bloco cerâmico tem ampla utilização e mão de obra familiarizada com o sistema.

O solo-cimento pode permitir soluções construtivas diferentes, mas exige controle rigoroso da fabricação. Já o bloco de concreto oferece elevada padronização e pode integrar sistemas de alvenaria estrutural.

Antes da compra, o proprietário deve verificar procedência, dimensões, integridade das peças e especificações técnicas. Quando a parede tiver função estrutural, a escolha precisa obrigatoriamente seguir o projeto elaborado por profissional habilitado.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Jornalismo Cultural.

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