Adeus, gases do feijão: pesquisadores brasileiros desenvolvem grão que pode dispensar horas de molho antes do preparo

Uma pesquisa brasileira pode mudar a rotina de quem ama feijão, mas evita o alimento por causa do desconforto depois das refeições

Isabella Sousa Cavalcante Isabella Sousa Cavalcante -
feijão
(Foto: Captura de tela/Youtube)

O feijão que pode dispensar horas de molho ainda não chegou às prateleiras, mas uma pesquisa brasileira trabalha para tornar essa possibilidade realidade. Pesquisadores da Embrapa estudam uma variedade com menor quantidade de compostos associados à formação de gases e que também pode simplificar o preparo.

A proposta chama atenção porque o feijão faz parte da alimentação brasileira e reúne nutrientes importantes, como proteínas, fibras e ferro. Ao mesmo tempo, algumas pessoas sentem desconforto depois de consumi-lo por causa dos oligossacarídeos presentes nos grãos.

Por que o feijão causa gases?

Os oligossacarídeos são carboidratos que o organismo humano não consegue digerir completamente. Quando chegam ao intestino grosso, as bactérias da microbiota fermentam esses compostos, processo que pode provocar a formação de gases e causar inchaço abdominal em algumas pessoas.

Por isso, deixar o feijão de molho antes do cozimento se tornou um hábito comum. A Embrapa recomenda o procedimento porque ele reduz parte dos oligossacarídeos, além de diminuir outros compostos presentes nos grãos.

Quando a água do molho vai embora e o feijão recebe água nova para cozinhar, a quantidade desses compostos diminui ainda mais. A prática pode ajudar principalmente quem apresenta maior sensibilidade aos efeitos do alimento.

A pesquisa brasileira

Para tentar reduzir o problema diretamente no grão, pesquisadores da Embrapa trabalham com uma técnica de edição genética chamada CRISPR. A ferramenta permite alterar genes específicos relacionados à produção dos oligossacarídeos.

A proposta consiste em reduzir esses compostos sem comprometer o valor nutricional do feijão. Dessa maneira, o consumidor poderia preparar o alimento com menos necessidade de longos períodos de remolho.

O estudo ainda está em desenvolvimento. Portanto, não significa que o novo feijão já esteja disponível para compra ou que todas as pessoas poderão deixar o remolho de lado imediatamente.

Quando o novo feijão poderá chegar ao mercado?

Ainda existem etapas importantes antes de uma eventual comercialização. Os pesquisadores precisam avaliar a viabilidade da tecnologia, realizar testes e verificar o desempenho da variedade em condições de cultivo em maior escala.

Informações divulgadas sobre o projeto indicam que o processo pode levar anos até chegar ao consumidor. Por isso, a novidade deve ser vista como uma pesquisa com potencial para mudar o preparo do feijão, e não como um produto já disponível nos supermercados.

Enquanto isso, quem sente desconforto ao comer feijão pode continuar utilizando o método tradicional. Deixar os grãos de molho e descartar a água antes do cozimento ajuda a reduzir os oligossacarídeos responsáveis pela formação de gases.

Assim, a pesquisa brasileira pode representar uma mudança interessante no futuro, principalmente para quem gosta de feijão, mas enfrenta dificuldades com o desconforto causado pelo alimento.

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