Fragmento de dente encontrado em Goiás revelou que dinossauro carnívoro viveu onde hoje fica o Cerrado

O vestígio cabe facilmente na mão, mas permitiu aos pesquisadores acrescentar uma peça importante à história pré-histórica do estado

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Fragmento de dente encontrado em Goiás revelou que dinossauro carnívoro viveu onde hoje fica o Cerrado
(Foto: Rperodução)

Um pequeno pedaço de dente encontrado entre as rochas de Paraúna, em Goiás, ajudou pesquisadores a comprovar que dinossauros carnívoros circularam pela região milhões de anos antes de o Cerrado assumir a paisagem atual.

O fóssil foi localizado na Serra da Portaria, área pertencente ao Parque Estadual de Paraúna.

Apesar de fragmentado e coberto por óxido de ferro, o material preservou características suficientes para que pesquisadores o associassem a um terópode, grupo que reúne dinossauros predominantemente bípedes e inclui alguns dos grandes predadores mais conhecidos da pré-história.

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O estudo foi publicado em 2020 e reuniu pesquisadores como Carlos Roberto Candeiro, Stephen Brusatte, Raoni Ribeiro Guedes Fonseca Costa, Michael Ulian, Bruno Martins Ferreira e Cláudia Valéria de Lima.

Um dente revelou muito mais do que parecia

Identificar um animal a partir de um fragmento tão pequeno exige observar detalhes que passam despercebidos para quem olha o fóssil sem treinamento.

No estudo, os pesquisadores analisaram a forma da coroa preservada e a seção transversal do dente. A combinação dessas características permitiu classificá-lo como pertencente a um terópode indeterminado.

Isso significa que o fóssil não foi suficiente para apontar uma espécie específica.

Ainda assim, o achado teve peso científico porque foi descrito como o primeiro registro osteológico de um dinossauro terópode no Sul de Goiás. Antes dele, os registros conhecidos do Grupo Bauru no estado estavam associados principalmente a dinossauros herbívoros saurópodes.

A própria região de Paraúna já chama atenção por formações rochosas, cavernas e vestígios geológicos que atravessam milhões de anos.

Goiás era muito diferente

O dente está associado à Formação Adamantina, integrante do Grupo Bauru, formada durante o Cretáceo Superior.

Naquela época, a paisagem encontrada onde hoje está Goiás era muito diferente da atual. Não existia o Cerrado como conhecemos e os continentes, clima, vegetação e fauna estavam em outra configuração.

É justamente por isso que fósseis isolados conseguem revelar informações que não aparecem na superfície atual.

A Serra da Portaria continua sendo conhecida também por suas formações naturais incomuns. Na mesma área, uma extensa muralha de pedra desperta a curiosidade de pesquisadores e visitantes.

No caso do dinossauro, não foi encontrado um esqueleto completo, nem material suficiente para reconstruir exatamente qual espécie caminhava por ali.

O que restou foi apenas parte de um dente.

Mesmo assim, milhões de anos depois, aquela pequena peça foi suficiente para confirmar que um predador pré-histórico também fez parte da história do território que hoje pertence a Goiás.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.