Conheça história emocionante de criança que tem duas mães no registro civil, em Goiás

Justiça reconheceu solicitação da mãe socioafetiva

Conheça história emocionante de criança que tem duas mães no registro civil, em Goiás
Imagem ilustrativa mostra criança e mãe de mãos dadas. (Foto: Canva)

A Justiça de Goiás concedeu para uma mulher, o direito de registrar uma criança com o nome de duas mães nos documentos pessoais. A decisão foi emitida pela juíza Roberta Wolpp Gonçalves, da Vara da Infância e Juventude de Uruana, município na região Central do estado.

A autora, que assumiu os cuidados da pequena desde o nascimento, entrou com a ação solicitando que a guarda fosse concedida unilateralmente e nominalmente, mas sem excluir a filiação da mãe biológica.

No processo, a mãe socioafetiva explicou que acolheu a criança desde os primeiros meses de vida, sempre com o consentimento da genitora, que alegou não ter condições financeiras e psicológicas para educar a filha.

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Assim, durante todo o julgamento, a defesa apontou laudos técnicos e depoimentos que comprovaram que a garotinha sempre esteve inserida na família da autora, tendo, inclusive, o reconhecimento do Ministério Público do Estado de Goiás, que ressaltou “a importância de um ambiente estável e cuidados necessários” fornecidos por ela.

No pedido, a mulher destacou o sentimento que já possui pela pequena, mas enfatizou o desejo de oficializar a maternidade em registro civil.

“Eu não tenho o desejo de ter ela como filha, ela já é minha filha. Querendo ou não, ela é. Mesmo não sendo meu sangue, para mim, ela é meu sangue. Eu não aceito ninguém falar que ela não é minha filha”, declarou, emocionada.

A mãe biológica, por sua vez, reconheceu a importância da mulher para a criação da filha, a qual ela considerou “muito mais mãe do que eu”.

Assim, com base em todos os relatos, a magistrada determinou a retificação do registro civil da criança, incluindo o nome de ambas as mães, regulamentando também o direito de visita da genitora, permitindo o contato para a construção de vínculo afetivo.

Na decisão, a juíza referenciou uma deliberação do Supremo Tribunal Federal (STF), que sustenta o reconhecimento de dupla filiação, indo além do laço biológico.

Thiago Alonso

Thiago Alonso

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde fevereiro de 2024.