“Eu sabia que seria exemplo para alguém”: açougueiro de Anápolis perdeu braço em acidente e soube reinventar

Após coma, múltiplas fraturas e amputação, Eduardo Machado reaprendeu a desossar carne e voltou a rotina de trabalho

Pedro Pedro Ribeiro -
“Eu sabia que seria exemplo para alguém”: açougueiro de Anápolis perdeu braço em acidente e soube reinventar
(Foto: Arquivo pessoal cedido ao Portal 6)

O açougueiro Eduardo Machado, morador de Anápolis, transformou uma tragédia que quase lhe custou a vida em uma história de superação que hoje inspira quem o conhece.

Em entrevista exclusiva ao Portal 6, ele relembrou o grave acidente de trânsito sofrido em maio de 2021, no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), que resultou na amputação do braço direito, múltiplas fraturas e oito dias de coma.

“Eu não lembro de nada. Nem do dia anterior ao acidente, nem do momento da batida. Tudo o que sei foi o que me contaram depois”, relatou.

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Segundo o boletim de ocorrência da época, Eduardo pilotava uma motocicleta quando se envolveu em uma colisão com um caminhão na GO-330, nas proximidades do Posto Tabocão.

O impacto foi devastador.

Além de perder o braço ainda no local, ele sofreu traumatismo craniano, perfuração dos pulmões, fraturas no fêmur, na patela, em costelas e em diferentes regiões da perna.

“Cheguei praticamente morto no hospital”, relembrou.

A recuperação, segundo ele, foi ainda mais difícil do que o próprio acidente.

“O mais complicado foi ficar parado. Sempre fui muito ativo, sempre fiz tudo sozinho. Me ver em uma cama sem conseguir virar o corpo, sem conseguir ir ao banheiro sozinho, foi desesperador”, contou.

Durante esse período, Eduardo afirmou que a fé e o apoio da família foram decisivos para que ele não desistisse.

“Eu tive noites de chorar e me perguntar como seria minha vida dali para frente. Mas sempre tive Deus no coração e sabia que ia encontrar uma saída”, afirmou.

Ele destaca especialmente o papel da mãe, que assumiu o açougue da família para manter o negócio funcionando durante sua recuperação.

“Minha mãe deixou a vida dela para viver a minha. Abraçou o açougue por mim. Meu pai, minha mãe, minha filha, minha noiva, todos foram fundamentais”, disse.

Eduardo revelou que chegou a acreditar que nunca mais conseguiria trabalhar no açougue.

“Eu pensava: como vou cortar carne sem meu braço direito? Achei que teria que abandonar tudo”, relembrou.

Mesmo assim, decidiu insistir.

Inicialmente, precisou que a mãe segurasse as peças de carne enquanto ele tentava reaprender o serviço, mas percebeu que aquilo era perigoso.

Foi então que começou, sozinho, a desenvolver técnicas próprias.

“Foi na tentativa e erro. Hoje consigo fazer tudo sozinho”, contou.

Apesar das limitações físicas, Eduardo afirma que não deixou de viver.

“Atualmente sou muito ativo. Participo de clube de tiro, ajudo meu pai na fazenda, vou pescar. Não deixei de viver e sou muito realizado.”

Hoje, ele vê toda a trajetória como parte de um propósito maior.

“Eu sempre tive na cabeça que um dia seria exemplo para alguém. E se minha história ajudar uma pessoa a não desistir, então tudo isso teve um propósito”, concluiu.

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Pedro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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