O escravizado de 2,18 metros transformado em “reprodutor humano” que hoje tem um terço de uma cidade como descendente
História real expõe uma das faces mais cruéis da escravidão no Brasil e revela como práticas desumanas ainda ecoam na demografia atual

No século XIX, no interior de São Paulo, viveu um homem cuja história atravessou gerações como símbolo da brutalidade da escravidão brasileira.
Roque José Florêncio, conhecido como Pata Seca, media cerca de 2,18 metros de altura, uma estatura extremamente rara para a época e que acabou transformando sua vida em um instrumento de exploração ainda mais cruel.
Escravizado desde jovem, Pata Seca foi comprado por fazendeiros que acreditavam em uma teoria comum naquele período: homens muito altos e de pernas finas teriam maior capacidade de gerar filhos fortes, preferencialmente do sexo masculino, considerados mais “valiosos” para o trabalho forçado.
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Com base nessa crença, ele foi retirado das atividades comuns da fazenda e passou a ser usado exclusivamente como “reprodutor humano”.
Relatos históricos e tradições orais indicam que Roque foi forçado a manter relações com dezenas de mulheres escravizadas, sem qualquer direito de escolha ou vínculo familiar.
Estima-se que ele tenha tido mais de 200 filhos, muitos deles sem qualquer registro formal, espalhados por fazendas da região.
O impacto dessa prática é sentido até hoje. Pesquisas locais e levantamentos genealógicos apontam que cerca de um terço da população do distrito de Santa Eudóxia, em São Carlos (SP), pode ser descendente direto de Pata Seca.
Em uma comunidade pequena, o número impressiona e transforma sua história em um caso raro de herança genética associada à violência do sistema escravocrata.
Após a abolição da escravidão, Roque José Florêncio viveu os últimos anos em relativa liberdade, mas sem reparação, reconhecimento ou justiça.
Morreu em 1958, já idoso, carregando uma história marcada pela exploração do próprio corpo como ferramenta de lucro.
A trajetória de Pata Seca é mais do que uma curiosidade histórica. Ela revela como a escravidão no Brasil ultrapassou o trabalho forçado e avançou sobre a reprodução humana, tratando pessoas como mercadoria e deixando marcas profundas que ainda fazem parte da história e da realidade de muitas famílias brasileiras.
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