O boi selvagem que vive onde o oxigênio é escasso, mede quase dois metros, suporta frio extremo e é essencial para o ecossistema
Iaque sobrevive em altitudes extremas do Himalaia, desempenha papel central na natureza e sustenta comunidades humanas há séculos

Em regiões onde respirar já é um desafio para os humanos, um animal imponente circula com naturalidade por montanhas geladas e planaltos elevados.
O iaque é um boi selvagem adaptado a alguns dos ambientes mais hostis do planeta, vivendo em áreas onde o oxigênio é escasso, o frio é intenso e a sobrevivência exige resistência extrema.
Esse bovídeo pode atingir quase dois metros de altura e pesar centenas de quilos, mantendo-se ativo em altitudes que ultrapassam cinco mil metros acima do nível do mar.
Nessas regiões, as temperaturas frequentemente ficam abaixo de zero e podem chegar a níveis considerados letais para a maioria dos grandes mamíferos.
A sobrevivência do iaque se explica por um conjunto raro de adaptações físicas e fisiológicas. O animal possui pulmões e coração maiores que os de bois comuns, além de um sangue altamente eficiente no transporte de oxigênio, o que permite enfrentar a chamada hipóxia, condição típica de grandes altitudes.
A pelagem longa e extremamente densa funciona como uma barreira natural contra o frio intenso. Essa proteção térmica é tão eficiente que o iaque praticamente não possui glândulas sudoríparas, evitando a perda de calor em ambientes congelantes. Seu corpo robusto também ajuda a conservar energia durante longos períodos de escassez alimentar.
No ecossistema das altas montanhas, o iaque desempenha um papel essencial. Ao se alimentar de gramíneas e vegetação resistente ao frio, ele ajuda a manter o equilíbrio do solo e influencia a dinâmica das pastagens naturais. Seus deslocamentos contribuem para a dispersão de sementes e a renovação da vegetação local.
A importância do animal vai além da natureza. Há séculos, o iaque é fundamental para a sobrevivência de comunidades humanas que vivem no Himalaia e no Planalto Tibetano.
Ele fornece leite, carne, fibras para roupas, couro e até combustível, já que seu esterco é utilizado como fonte de energia em regiões onde não há árvores.
Apesar de sua força e capacidade de adaptação, o iaque selvagem enfrenta desafios. A redução de habitat e a pressão humana colocam a espécie em alerta, especialmente nas áreas onde populações naturais ainda resistem longe da domesticação.
Para pesquisadores e ambientalistas, o iaque representa um exemplo claro de como a evolução pode moldar um animal para condições extremas, ao mesmo tempo em que reforça a importância da preservação de espécies que sustentam ecossistemas inteiros e modos de vida tradicionais.
Em um cenário onde o clima extremo se torna cada vez mais comum, o iaque segue como símbolo de resistência, equilíbrio ecológico e adaptação àquilo que, para muitos, seria simplesmente impossível de habitar.
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