Plano visto como loucura vira esperança: cobras gigantes começam a ajudar na recuperação dos Everglades
Elas foram criadas em cativeiro por cerca de dois anos, monitoradas e depois soltas em áreas protegidas

As cobras gigantes voltaram ao centro do debate ambiental quando a Flórida apostou em uma estratégia que parecia absurda à primeira vista: usar uma espécie de serpente para combater outra.
Durante anos, a ideia foi tratada como exagero. No entanto, agora os primeiros resultados mostram que a natureza pode responder melhor quando o equilíbrio original é restaurado.
O problema começou com a invasão das pitons birmanesas nos Everglades. Introduzidas de forma irregular décadas atrás, essas serpentes encontraram no pântano um ambiente ideal.
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Sem predadores naturais, se multiplicaram rapidamente e causaram um colapso ecológico. Mamíferos como guaxinins, gambás e coelhos praticamente desapareceram de várias áreas.
Diante disso, autoridades ambientais perceberam que capturas, armadilhas e recompensas não seriam suficientes.
Foi então que surgiu a aposta nas cobras gigantes nativas, especialmente a cobra índigo oriental, uma predadora histórica da região.
A estratégia
A cobra índigo oriental é uma das maiores serpentes da América do Norte e tem um papel essencial no ecossistema.
Ela caça outras cobras, inclusive espécies venenosas, e não representa ameaça aos humanos. Tímida e discreta, atua como reguladora natural da fauna.
A espécie havia praticamente desaparecido da Flórida por causa do desmatamento, da fragmentação do habitat e da captura ilegal.
Com sua ausência, o ambiente ficou ainda mais vulnerável à invasão das pitons.
A reintrodução não aconteceu de forma aleatória. As cobras gigantes foram criadas em cativeiro por cerca de dois anos, monitoradas e depois soltas em áreas protegidas.
Desde 2017, o projeto acompanha a adaptação dos animais, a saúde e o comportamento de caça.
Sinais de recuperação
Com o retorno das cobras gigantes nativas, pesquisadores começaram a observar mudanças importantes.
As índigos passaram a caçar filhotes de piton birmanesa, algo que não ocorria antes. Isso criou um freio natural na expansão da espécie invasora.
Além disso, moradores e técnicos relataram a volta gradual de pequenos mamíferos em áreas antes consideradas vazias.
Outro marco importante veio em 2023, quando filhotes de cobra índigo nasceram na natureza pela primeira vez em mais de 40 anos, confirmando que a espécie voltou a se reproduzir sozinha.
Em 2024, mais de 40 cobras foram soltas, e a expectativa é ampliar esse número nos próximos anos.
O modelo já começa a inspirar ações semelhantes em estados vizinhos, como o Alabama.
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