Pouca gente sabe, mas um camarão de água doce pode estar alterando o equilíbrio de rios tropicais e favorecendo o surgimento de algas tóxicas
Espécie exótica usada na aquicultura vem preocupando pesquisadores por seu potencial impacto sobre ecossistemas naturais

O Macrobrachium rosenbergii, conhecido como camarão-gigante-da-Malásia, é uma das espécies mais cultivadas da aquicultura tropical.
Originário do Sudeste Asiático, ele se tornou popular por crescer rápido e oferecer boa rentabilidade, mas sua presença em ambientes naturais fora da área nativa tem levantado um alerta entre cientistas.
Pesquisadores observam que o animal pode modificar o leito dos rios ao revirar sedimentos e detritos orgânicos.
- Fim de uma ameaça: gatos são totalmente eliminados de ilha australiana após décadas de destruição ambiental e cientistas comemoram volta de espécies nativas
- O que são aqueles “fiozinhos” da banana por baixo da casca e por que nem os macacos comem (mas jogar fora é um erro)
- Conheça as serpentes mais perigosas do Brasil e os lugares onde elas são encontradas
Esse processo, chamado de bioturbação, altera a transparência da água e reduz a luz necessária para a fotossíntese das plantas submersas.
Com menos vegetação, o ecossistema perde estabilidade e passa a liberar nutrientes como fósforo e nitrogênio, favorecendo o crescimento de cianobactérias, popularmente conhecidas como algas tóxicas.
Espécie produtiva, mas com riscos ambientais
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o M. rosenbergii é uma das espécies mais criadas em países tropicais de baixa renda.
Entretanto, quando escapa dos viveiros, pode se adaptar rapidamente aos rios e competir com espécies nativas, alterando o equilíbrio ecológico e provocando impactos que ainda são pouco estudados.
Em ecossistemas sensíveis, como várzeas e deltas, a presença desse camarão pode contribuir para o desaparecimento de plantas aquáticas e aumentar o risco de eutrofização.
Esse fenômeno transforma águas claras em ambientes dominados por algas e com baixos níveis de oxigênio.
O desafio entre produção e preservação
O avanço da aquicultura de baixo custo representa uma oportunidade econômica, mas também traz o desafio de conciliar produção sustentável e conservação ambiental.
Especialistas defendem a criação de regras mais rígidas para contenção física nos tanques e monitoramento dos efluentes gerados pelos criadouros, que podem carregar excesso de nutrientes para os corpos d’água.
Embora os impactos do Macrobrachium rosenbergii ainda precisem ser mais bem documentados, a discussão reacende um ponto essencial: espécies exóticas podem parecer inofensivas, mas suas interações com o meio ambiente têm potencial para provocar transformações profundas e silenciosas.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!







