Fim da escala 6×1: nova jornada prevê redução gradual do horário de trabalho

Proposta em tramitação no Congresso reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas e amplia o descanso para dois dias, sem corte de salário

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
PEC em análise no Congresso prevê o fim gradual da escala 6x1, com redução da jornada para 36 horas semanais e dois dias de descanso.
(Foto: Jose Cruz/Agência Brasil)

O fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate no Congresso Nacional. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, estabelece a ampliação do descanso semanal e a redução do tempo máximo de trabalho, sem diminuição salarial.

Além disso, o texto define uma transição gradual. Assim, empresas e trabalhadores terão um período de adaptação até a aplicação integral das novas regras.

O que muda com a nova jornada de trabalho

A proposta altera dois pontos centrais da atual legislação trabalhista. Primeiro, amplia o descanso semanal mínimo. Em seguida, reduz o teto de horas trabalhadas por semana.

Veja as principais mudanças previstas:

  • descanso semanal passa de um para dois dias, preferencialmente aos sábados e domingos;

  • jornada máxima semanal cai de 44 para 36 horas;

  • limite diário permanece em até oito horas, sem contar horas extras;

  • salário não poderá sofrer redução em nenhuma etapa da transição.

Dessa forma, a medida busca melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem retirar direitos já garantidos.

Como será o fim gradual da escala 6×1

De acordo com o texto da PEC, a mudança ocorrerá em etapas. No ano de promulgação, as regras atuais seguem válidas.

No ano seguinte, começa a ampliação do descanso semanal e a redução progressiva da jornada.

Somente após seis anos, o novo modelo estará totalmente implementado. Assim, o fim da escala 6×1 não acontece de forma imediata, o que reduz impactos abruptos no mercado de trabalho.

Quem terá direito à nova jornada

A proposta beneficia milhões de trabalhadores. Segundo dados citados no relatório aprovado, cerca de 38 milhões de pessoas contratadas pela CLT devem ser diretamente alcançadas.

Além disso, também entram na regra:

  • servidores públicos;

  • empregadas domésticas;

  • trabalhadores portuários;

  • trabalhadores avulsos.

Por outro lado, profissionais contratados como pessoa jurídica não terão o direito automático. Ainda assim, o novo padrão pode influenciar acordos e práticas no mercado.

Jornada reduzida sem corte de salário

Um dos pontos mais sensíveis da proposta envolve a remuneração. Nesse sentido, a PEC proíbe qualquer redução salarial como compensação pelo aumento do descanso.

Além disso, acordos coletivos poderão ajustar a distribuição das horas ao longo da semana. Entre as possibilidades estão:

  • oito horas de segunda a quinta-feira e quatro horas na sexta;

  • sete horas e 12 minutos de segunda a sexta-feira.

Assim, empresas e trabalhadores poderão negociar modelos que se adaptem à rotina de cada setor.

Impactos e debates no Congresso

Enquanto governistas defendem a proposta como avanço social, parte da oposição levanta preocupações econômicas.

Parlamentares alertam para possíveis impactos sobre pequenas empresas, sobretudo aquelas com poucos funcionários.

Mesmo assim, o tema segue como prioridade política para 2026. Antes de entrar em vigor, o texto ainda precisa passar por duas votações no Senado e duas na Câmara dos Deputados, com quórum qualificado.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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