SUS libera benefício inédito para adolescentes de até 17 anos e idosos acima de 80 no tratamento da diabetes
Estratégia, segundo o SUS, será feita de forma gradual e com avaliação individual de cada paciente

Uma mudança silenciosa, mas com potencial de transformar a rotina de milhares de famílias, começou a sair do papel no Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre fevereiro e março, o Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto para substituir a tradicional insulina NPH por um modelo mais moderno no tratamento da diabetes: a insulina glargina.
A estratégia, segundo a pasta, será feita de forma gradual e com avaliação individual de cada paciente. A ideia é começar em quatro unidades da Federação e, depois, desenhar um cronograma para expandir ao restante do país.
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Nesta primeira etapa, o público é bem definido e chama atenção: crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa oficial é beneficiar mais de 50 mil pessoas logo no início.
Projeto-piloto pode virar política nacional
O projeto-piloto foi iniciado no Amapá, Paraíba, Paraná e Distrito Federal, escolhidos por critérios de representatividade regional e capacidade de implementação. Nessa fase, o Ministério da Saúde acompanha os resultados para ajustar logística, distribuição e fluxo de atendimento.
A promessa é que, após os primeiros meses, o desempenho do programa sirva de base para construir a expansão aos demais estados. O ministério também relaciona a mudança ao fortalecimento da produção nacional de insulina e ao abastecimento do SUS.
Além da troca do medicamento, as equipes locais estão sendo capacitadas, com foco no uso correto das canetas aplicadoras e na administração do novo tratamento. Esse treinamento começou no fim de janeiro e segue até meados de fevereiro, preparando as redes para iniciar a transição nos territórios.
Quem pode receber e como o SUS vai fazer a troca da insulina
O público-alvo do piloto foi definido como prioridade por um comitê técnico e gestores das redes estaduais e municipais, segundo as informações divulgadas. O recorte inclui os grupos que, no entendimento da pasta, podem se beneficiar mais com a mudança no perfil de ação do medicamento.
A troca não é automática para todo mundo. O próprio Ministério da Saúde afirma que a transição será gradual, baseada na avaliação clínica de cada paciente e no acompanhamento pela rede.
Para quem busca orientação, a porta de entrada continua sendo a Atenção Primária, que faz o acompanhamento contínuo e define condutas conforme o quadro clínico. O SUS reforça que oferece assistência integral, do diagnóstico ao monitoramento e tratamento.
Por que a glargina muda a rotina e qual a diferença para a NPH
A grande diferença está no tempo e na estabilidade da ação. A glargina é descrita como uma insulina de ação prolongada, de até 24 horas, e geralmente exige uma aplicação por dia, o que facilita a manutenção dos níveis de glicose.
Já a NPH é uma insulina humana de ação intermediária, usada há décadas, e costuma exigir mais de uma aplicação diária em muitos casos. Na visão do governo, ampliar a glargina no SUS moderniza o cuidado e pode tornar o tratamento mais simples para pacientes e cuidadores.
O Ministério também cita o impacto financeiro para quem depende da compra na rede privada, afirmando que o tratamento com glargina pode custar até R$ 250 por dois meses. A ampliação no SUS, diz a pasta, está alinhada a práticas internacionais.
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