Nome de João de Deus aparece em arquivos secretos do caso Jeffrey Epstein

E-mail divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA cita denúncia de ativista brasileira sobre 'fábrica de bebês' em Abadiânia

Samuel Samuel Leão -
João de Deus
João de Deus. (Foto: Reprodução)

O nome de um dos personagens mais sombrios da história recente de Goiás cruzou fronteiras e foi parar no centro de um dos maiores escândalos de exploração sexual do mundo. Documentos recém-divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que integram a chamada “Biblioteca Epstein”, trazem citações a “John of God” — o médium João de Deus, condenado a centenas de anos de prisão por crimes sexuais cometidos em Abadiânia.

A menção aparece em um correio eletrônico trocado em dezembro de 2020. No texto, interlocutores discutem uma reportagem internacional sobre a morte da ativista Sabrina Bitencourt, que ocorreu na Espanha em 2019.

Sabrina foi uma das vozes principais a denunciar o esquema de João de Deus, afirmando que o médium mantinha mulheres em situação de escravidão sexual para engravidá-las e, posteriormente, vender os bebês no mercado negro para estrangeiros.

O ponto mais impactante do documento é a comparação direta entre o “modus operandi” goiano e o que acontecia nas propriedades de Jeffrey Epstein.

O e-mail sugere que o bilionário americano teria tentado implementar algo semelhante em seu “Rancho do Zorro”, no Novo México. De acordo com a mensagem, Epstein teria oferecido dinheiro para que mulheres dessem à luz crianças que seriam destinadas ao comércio ilegal de pessoas.

É importante ressaltar que a presença de um nome na lista da “Biblioteca Epstein” não significa, necessariamente, a prática de um crime. O acervo contém registros de qualquer pessoa que tenha tido relação social ou sido citada em comunicações ligadas ao financista.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. O caso abalou a elite global, já que o bilionário mantinha laços com figuras poderosas como Bill Clinton, Donald Trump e o Príncipe Andrew. Sua sócia, Ghislaine Maxwell, foi condenada a 20 anos de prisão por recrutar jovens vulneráveis para a rede de abusos.

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Samuel

Samuel Leão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás, com passagens por veículos como Tribuna do Planalto e Diário do Estado. É mestrando em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado pela Universidade Estadual de Goiás. Passou pela coluna Rápidas. Atualmente, é repórter especial do Portal 6.

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