O trem que só parava para uma pessoa: a estação que o Japão manteve aberta por uma única passageira até ela concluir sua missão
Decisão priorizou acesso à educação e repercutiu mundialmente como exemplo de política pública centrada nas pessoas

O trem que só parava para uma pessoa virou símbolo de uma decisão incomum no Japão. A estação ferroviária permaneceu ativa para garantir que uma estudante conseguisse ir e voltar da escola em uma área rural de Hokkaido.
O caso ganhou repercussão justamente porque a operação continuou mesmo com baixa demanda de passageiros.
No início da década de 2010, a operadora Japan Railways avaliou encerrar pequenas estações rurais no norte do país. O número de usuários havia caído de forma significativa.
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Além disso, os serviços de carga já estavam suspensos, o que reduziu ainda mais a viabilidade econômica dessas estruturas.
Estação permaneceu aberta por necessidade social
Entre as estações analisadas estavam Kami-Shirataki, Kyu-Shirataki e Shimo-Shirataki, localizadas em áreas remotas de Hokkaido. No entanto, a empresa identificou que estudantes ainda dependiam da linha ferroviária. Uma adolescente do ensino médio utilizava a estação diariamente para chegar à escola.
Sem o trem, ela precisaria caminhar por mais de uma hora até outra estação. Por isso, a operadora decidiu manter o funcionamento do local.
Em vez de encerrar as atividades, a empresa ajustou os horários dos trens conforme o calendário escolar.
Na prática, apenas dois trens paravam na estação em vários dias. Um trem levava a estudante pela manhã. O outro garantia o retorno no período da tarde. Dessa forma, a estação continuou ativa não por lucro, mas por necessidade educacional.
Rotina limitada e horários rigorosos
Mesmo com o serviço disponível, a logística era restrita. A baixa frequência de trens exigia uma rotina rígida. Além disso, a estudante não conseguia participar de muitas atividades extracurriculares.
Em algumas ocasiões, ela precisava sair rapidamente da escola para não perder o último trem do dia.
Ainda assim, a manutenção da estação assegurou o acesso contínuo à educação. Enquanto isso, outras alternativas de transporte público na região eram praticamente inexistentes.
Portanto, o trem que só parava para uma pessoa representava mais do que um serviço ferroviário: ele garantia a permanência escolar.
Encerramento ocorreu após a conclusão dos estudos
Em março de 2016, a estudante concluiu o ensino médio. Logo depois, a estação foi oficialmente desativada. A história se espalhou nas redes sociais e passou a ser vista como exemplo de sensibilidade na gestão pública e na infraestrutura.
Posteriormente, surgiram relatos de que a jovem não era a única usuária da linha. Alguns alunos embarcavam em estações próximas com horários semelhantes.
Mesmo assim, a decisão de manter a operação evitou que estudantes da região tivessem o acesso à escola interrompido.
Assim, o caso reforçou a prioridade dada ao coletivo e à educação. Ao manter a estação ativa até o fim do ciclo escolar, o Japão mostrou que políticas públicas podem considerar necessidades sociais antes da lógica econômica.
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