Conheça o país da Europa onde sobram vagas de emprego e faltam profissionais
Envelhecimento acelerado e baixa natalidade fazem esse país buscar 300 mil trabalhadores qualificados por ano

Em uma sala de aula no sul da Índia, cerca de 20 enfermeiras estudam fervorosamente seu futuro novo idioma. Elas têm seis meses para alcançar fluência suficiente e disputar vagas de trabalho em hospitais europeus.
O destino é a Alemanha, que enfrenta uma escassez estrutural de profissionais qualificados. Em diversos setores, há mais vagas abertas do que candidatos disponíveis.
A situação reflete um desequilíbrio demográfico que pressiona a maior economia da Europa. Para manter o ritmo produtivo, o país precisa recorrer cada vez mais à imigração.
Envelhecimento e déficit de mão de obra
A aposentadoria em massa da geração baby boomer, combinada com décadas de baixa taxa de natalidade, reduziu a força de trabalho ativa. O impacto já é visível em hospitais, escolas e empresas de tecnologia.
Estimativas do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB) apontam que o país precisa atrair cerca de 300 mil trabalhadores qualificados por ano apenas para manter o atual nível econômico.
Sem essa reposição, a tendência é de jornadas mais longas, aposentadorias tardias e possível redução do padrão de vida. Especialistas alertam que a escassez compromete a competitividade internacional.
O recurso a trabalhadores estrangeiros não é novidade. No pós-guerra, a então Alemanha Ocidental recrutou milhões de imigrantes para sustentar o crescimento econômico, política que marcou a formação da sociedade alemã contemporânea.
Burocracia trava entrada de estrangeiros
Apesar da demanda urgente, o processo migratório ainda é considerado lento. Profissionais relatam dificuldades na validação de diplomas e na obtenção de autorizações permanentes de trabalho.
Dados do Escritório Alemão para Migração e Refugiados mostram que cerca de 160 mil estrangeiros com autorização de residência são classificados como trabalhadores qualificados. O número, porém, não supre a necessidade do mercado.
Advogados especializados afirmam que solicitações podem levar meses ou até um ano para serem analisadas. A falta de digitalização e de pessoal nas autoridades migratórias é apontada como um dos principais entraves.
Integração cultural é outro desafio
Hospitais alemães têm contratado profissionais da Índia e do Sri Lanka por meio de agências de recrutamento. Cada contratação pode custar milhares de euros às instituições.
Mesmo com apoio no ambiente de trabalho, barreiras linguísticas e adaptação cultural continuam sendo obstáculos. Relatos apontam que saudade da família e episódios de preconceito dificultam a permanência no país.
Para agilizar o processo, algumas clínicas criaram programas de estágio voltados a jovens estrangeiros recém-formados. A estratégia busca reduzir o tempo de reconhecimento de qualificações, que varia entre os 16 estados alemães.
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