Três irmãos instalam barreira em rio, retiram 2 mil toneladas de lixo e transformam plástico em chinelos sustentáveis
Com 170 barreiras, 132 trabalhadores e nove centros de triagem, iniciativa alia ação emergencial e pressão por mudanças estruturais na gestão de resíduos

Quando chove em Bali, o que desce pelos rios não é apenas água. Garrafas, sacolas, embalagens e até chinelos seguem o fluxo rumo ao mar. Desde a popularização do plástico, os rios nunca mais foram os mesmos.
Foi para interromper esse percurso que, em 2020, os irmãos Gary, Sam e Kelly Bencheghib — nativos de Bali — transformaram indignação em atitude. Desde então, mais de 2.000 toneladas de resíduos foram retiradas de cursos d’água em Bali e Java.
A iniciativa, batizada de Sungai Watch, surgiu após anos de observação da degradação ambiental em Bali. Mesmo com a proibição de plásticos de uso único em 2019, o volume de resíduos seguiu alto.
Sem um sistema adequado para a coleta e o tratamento de lixo descartável, os rios de Bali se tornaram rotas de escoamento de resíduos.
Com o surgimento da Sungai Watch, 170 barreiras flutuantes interceptam o material antes que ele avance.
A estrutura envolve 132 trabalhadores e nove centrais de triagem que processam cerca de 3 toneladas por dia, separando resíduos em aproximadamente 30 categorias.
Ainda assim, apenas um terço do lixo encontra caminho viável para reciclagem; cerca de 40% segue para aterros.
Parte do que é recolhido ganha nova vida: mais de 200 mil chinelos foram reaproveitados na produção de calçados, e sacolas plásticas passaram a compor móveis por meio de uma frente de design criada em 2024.
A operação prova que capturar resíduos é possível. O desafio maior é impedir que eles continuem chegando aos rios — tarefa que depende de financiamento contínuo, fiscalização efetiva e redução concreta do plástico descartável.
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