Conquista brasileira: jovens cientistas avançam no diagnóstico precoce do autismo

Estudo do HCPA e UFRGS identifica RNA circular estável que pode virar biomarcador do TEA; próxima etapa testa amostras humanas

Gustavo de Souza -
Conquista brasileira: jovens cientistas avançam no diagnóstico precoce do autismo
(Foto: Ilustração/Freepik)

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda depende, em grande parte, de observações clínicas e comportamentais. Isso pode atrasar a identificação, sobretudo em crianças pequenas ou em quadros menos evidentes.

Agora, uma pesquisa brasileira abre uma nova possibilidade: encontrar um marcador biológico capaz de indicar sinais do TEA de forma mais objetiva e precoce. O trabalho é conduzido por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A descoberta envolve uma molécula de RNA com características incomuns, testada inicialmente em modelos animais. Em março, a equipe inicia uma nova etapa com análises em amostras humanas, buscando confirmar se o padrão se repete em pessoas com diagnóstico de autismo.

O “RNA circular” que pode virar biomarcador do TEA

O foco do estudo é um RNA circular chamado ciRS-7. Diferente do RNA mensageiro convencional, ele tem formato fechado e é mais resistente à degradação no organismo, o que o torna extremamente estável.

Essa estabilidade chama atenção porque abre a possibilidade de detecção em fluidos como sangue ou saliva. Em um cenário futuro, isso poderia permitir exames complementares ao diagnóstico, com mais objetividade.

Nos testes com animais, os pesquisadores observaram níveis de ciRS-7 consistentemente mais altos em modelos com características comportamentais semelhantes às observadas no TEA. O achado sugere um padrão que pode ser útil como “assinatura” biológica.

Além disso, o estudo destaca que RNAs circulares não codificam proteínas. Em vez disso, atuam como reguladores de outros RNAs e genes dentro das células, o que reforça seu potencial como marcador e também como peça-chave para entender mecanismos do neurodesenvolvimento.

Por que isso pode acelerar o diagnóstico e o que ainda falta

Hoje, o diagnóstico do TEA se apoia principalmente em avaliação clínica e observação de comportamento. Embora eficaz, essa abordagem pode demorar para fechar diagnóstico em crianças pequenas ou em situações em que os sinais não são tão claros.

Por isso, a busca por biomarcadores — como os RNAs circulares — vem sendo tratada como uma das fronteiras científicas mais promissoras. A ideia é oferecer ferramentas que complementem a avaliação médica e ajudem a identificar o transtorno mais cedo.

A próxima fase do estudo pretende analisar amostras de sangue humano. O objetivo é confirmar se o padrão observado nos modelos animais também aparece em pessoas com TEA e, principalmente, se o marcador é específico o suficiente para diferenciar o autismo de outros transtornos neuropsiquiátricos.

Mesmo com o avanço, os próprios pesquisadores indicam que ainda há um caminho de alguns anos até um exame chegar à rotina clínica. Isso inclui validação em um número maior de amostras e comparações com outras condições do neurodesenvolvimento.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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