Porque algumas pessoas não se sentem confortáveis com abraços, segundo a psicologia

Nem toda recusa ao abraço significa frieza: experiências de vida, estilo de apego e limites pessoais ajudam a explicar por que algumas pessoas evitam o contato físico

Gabriel Dias -
Porque algumas pessoas não se sentem confortáveis com abraço
(Imagem: Divulgação/Disney)

O gesto parece simples, automático, quase obrigatório em muitas situações na nossa cultura. Alguém se aproxima, abre os braços pronto para um abraço e recebe uma recusa: um corpo rígido, uma reação discreta ou até mesmo um recuo para trás, e isso gera muitos questionamentos.

Segundo a psicologia, esse tipo de reação raramente tem a ver com falta de carinho. Na maioria das vezes, ela revela histórias pessoais, experiências emocionais e formas diferentes de lidar com o próprio corpo.

Desde a infância, cada pessoa aprende — consciente ou inconscientemente — como interpretar o contato físico.

Ambientes com pouco afeto, excesso de cobrança, conflitos constantes ou situações de invasão de privacidade podem fazer com que o toque seja associado a desconforto.

Além disso, vivências traumáticas, mesmo que antigas, podem deixar marcas que influenciam a forma como o corpo reage à aproximação. Em outros casos, não há dor envolvida: apenas uma criação mais reservada, em que abraços nunca foram parte central das relações.

Todas essas questões têm relação com a Teoria do Apego, que começa com os estudos do psicólogo britânico John Bowlby. A teoria mostra como os primeiros vínculos afetivos, formados ainda na infância, influenciam profundamente a forma como as pessoas se relacionam ao longo da vida.

Segundo ele, o modo como a criança é acolhida, protegida e confortada pelos cuidadores cria uma base emocional que afeta sua confiança, segurança e abertura para o contato físico e emocional na vida adulta.

Assim, experiências de cuidado consistentes tendem a favorecer relações mais seguras, enquanto vínculos instáveis podem gerar insegurança ou distanciamento. Por isso, muitas pessoas evitam o abraço.

Mais tarde, pesquisadores ampliaram a teoria ao estudar o apego em relacionamentos adultos e mostram que os estilos desenvolvidos na infância continuam influenciando a forma como as pessoas expressam carinho, lidam com intimidade e constroem vínculos.

Esse estudo reforça a importância de compreender e respeitar os limites físicos do outro como um passo fundamental para construir relações mais saudáveis e empáticas.

Nem todo gesto de carinho precisa ser expresso por meio do contato corporal, e aprender a reconhecer diferentes formas de afeto fortalece o vínculo e evita constrangimentos.

Respeitar o espaço pessoal é, acima de tudo, uma forma de cuidado, que demonstra sensibilidade, maturidade emocional e consideração pela história que cada pessoa carrega.

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Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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