Família constrói casa com sacos de terra e método simples desafia a construção civil tradicional
Construção circular feita com terra compactada prova que alternativa sustentável pode ser estruturalmente viável

No canteiro, não tinha betoneira girando, caminhão descarregando brita e tijolos alinhados. Havia apenas terra e uma determinação inabalável para construir uma casa inteira com essa matéria-prima.
O que começou apenas como um terreno baldio rapidamente se tornou um grande projeto. A proposta era considerada bem simples e até cômica: encher sacos resistentes com o solo do próprio terreno e empilhá-los até formar paredes.
Mas a simplicidade não era marcada só pelas ideias; havia método, esforço físico e uma lógica estrutural já pensada.
O primeiro desafio era um dos mais óbvios: terra solta não tem firmeza para sustentar nada. Espalha, cede e perde forma. Transformá-la em material estrutural exigia controle.
Cada saco era preenchido manualmente, fechado e colocado lado a lado, formando filas que serviam a uma função semelhante à dos tijolos. A casa foi projetada em formato circular.
A escolha não foi estética, mas estratégica. A geometria curva distribui melhor o peso e reduz pontos de tensão concentrada.
A segunda etapa foi mais exaustiva: compactar os sacos de terra. O que antes era maleável tornava-se denso, pesado e rígido. Em todas as camadas foram adicionados fios metálicos entre os sacos já comprimidos, para aumentar a fixação.
Não havia atalhos; o processo foi demorado e repetitivo, e a resistência da estrutura dependia de uma soma disciplinada de várias etapas.
Conforme as paredes subiam, a construção deixava de ser apenas um experimento para ganhar volume real. Outro problema surgiu conforme a casa tomava tamanho: eram necessárias aberturas para portas e janelas, que precisavam ser previstas com precisão.
Sobre o topo circular, vigas de madeira foram apoiadas, partindo do centro em direção às extremidades, criando inclinação adequada para escoamento da água. Ajustes finos garantiram o encaixe correto. Em seguida, chapas metálicas onduladas foram fixadas com parafusos aparentes.
O resultado final veio sem rachaduras visíveis ou deformações, e as paredes de sacos de terra se provaram fortes: sustentaram madeira e metal com estabilidade.
Mesmo assim, o acabamento ainda revelava os volumes dos sacos. A etapa final trouxe argamassa aplicada manualmente, preenchendo irregularidades e criando superfície uniforme.
Mas, por trás do acabamento, existe outro raciocínio construtivo — um sistema baseado em compressão, peso próprio e amarração mecânica. Sem concreto armado. Sem blocos industriais. Apenas solo organizado com método.
Ao transformar o próprio terreno em estrutura habitável, a família não apenas ergueu uma moradia. Apresentou uma alternativa que confronta a lógica tradicional da construção civil e reacende o debate sobre sustentabilidade, custo e simplicidade técnica.
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