Tarifas de Trump tiram mineração em Goiás da “zona de conforto” e expõem dificuldades enfrentadas pelo setor
Presidente do Sindicato da Indústria de Mineração avalia que a área está sempre na defensiva, mas que é preciso mudar para se adaptar aos movimentos globais
Os contextos da geopolítica – que estuda as relações de poder entre países do mundo inteiro – conseguem afetar diversos setores ao mesmo tempo, e a mineração não fica de fora. A afirmação se torna especialmente verdadeira quando se analisa as taxações recentes dos Estados Unidos.
Depois das polêmicas do “tarifaço”, quando o presidente americano, Donald Trump, instituiu taxas de até 50% sobre as importações que chegavam ao país, outra decisão do estadunidense ganhou os holofotes globais.
O tarifaço até foi derrubado pela Suprema Corte na última sexta-feira (20), mas acabou substituído por uma nova alíquota de 15% no dia seguinte, por determinação direta de Trump.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Mineração do Estado de Goiás e Distrito Federal (Minde), Luis Vessani, a medida tira o setor da “zona de conforto” – “entre aspas, porque a mineração nunca esteve em uma zona de conforto”, aponta.
Vessani explica: “a gente estava começando a entender qual era o jogo do Trump. Desde o início do tarifaço até hoje, Goiás e o Brasil todo, praticamente o mundo todo, estava refazendo suas estratégias”.
Para ele, a situação obrigou os profissionais “a se mexer, a buscar alternativas, discutir e rediscutir, principalmente, em função do conceito de geopolítica”. O cenário fez, por exemplo, com que o governo estadual se reaproximasse do setor produtivo.
Além disso, expôs os problemas que a área da mineração ainda enfrenta no Brasil. As novas taxas reabrem as inseguranças de um setor que trabalha a médio prazo enquanto sinalizam seletividade.
Para Vessani, as mais afetadas são as empresas que exportam diretamente para os Estados Unidos. Níquel, vermiculita (que serve como isolante térmico e acústico, e sofreu retração de 86% nas exportações), alumínio e ferro são alguns dos itens que entram na lista.
Área fica na defensiva
O sindicato costuma ficar na defensiva. O presidente do Minde explica que “a mineração se protege das leis novas, que não entendem a mineração”.
Para ele, o setor tem que ser usado para gerar recurso e desenvolver – e, para isso, é necessário ter políticas públicas mais adequadas à área ao mesmo tempo em que se cria um mercado consumidor.
A ação, costumeiramente, vem do setor privado. Vessani defende que Goiás tem se afastado das políticas públicas de mineração e diz que as terras raras, por exemplo, viraram o centro das atenções “porque teve um conjunto de empresários que investiu no risco, foi extremamente competente e descobriu as jazidas”.
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, os Estados Unidos são destino de quase metade das exportações brasileiras de aço. O país sul-americano é o segundo maior fornecedor dos EUA, atrás apenas do Canadá.
Com as taxas, resta recorrer a outros países, como a China, que é o maior consumidor de minério de ferro do Brasil, compra mais de 70% da extração brasileira e não impõe taxas sobre essa negociação.
Outros setores não sofrem tanto
Embora a mineração siga com tantas dificuldades, outros setores ainda veem esperança. É o caso, por exemplo, da carne bovina e do açúcar – onde se destacou a empresa goiana Jalles Machado.
Mesmo com as tarifas, Goiás terminou 2025 com um aumento de 57,04% nas exportações estadunidenses em comparação ao ano anterior.
De acordo com números da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), os EUA se consolidaram como o segundo principal destino das exportações estaduais. O total chegou a US$ 641,4 milhões. O país americano fica atrás somente da China, que atingiu o volume de US$ 5,8 bilhões.
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