Após Justiça confirmar falência, uma das livrarias mais tradicionais do Brasil fecha as portas

Com dívida superior a R$ 285 milhões, Livraria Cultura encerra operações após confirmação judicial de falência em São Paulo

Gustavo de Souza -
Após Justiça confirmar falência, uma das livrarias mais tradicionais do Brasil fecha as portas
(Imagem: Captura de Tela/YouTube/São Paulo Urbana)

A Livraria Cultura, um dos nomes mais emblemáticos do mercado editorial brasileiro, encerrou definitivamente suas atividades. A decisão ocorre após a confirmação da falência pela Justiça de São Paulo, encerrando um processo que se arrastava há anos e que simboliza as dificuldades enfrentadas pelo setor livreiro no país.

A notificação foi expedida pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A dívida declarada no processo ultrapassa R$ 285 milhões.

Nesta quinta-feira (26), o site da empresa estava fora do ar. Nas redes sociais, o último registro de publicação data de setembro de 2025. Até o momento, o presidente da companhia, Sérgio Herz, não se manifestou publicamente.

Um processo judicial marcado por reviravoltas

A Livraria Cultura entrou com pedido de recuperação judicial em outubro de 2018, buscando renegociar dívidas e reorganizar sua estrutura financeira. Desde então, o processo foi marcado por dificuldades no cumprimento das obrigações assumidas com credores.

Em fevereiro de 2023, a Justiça paulista decretou a falência da empresa e da holding 3H Participações. Posteriormente, decisões liminares suspenderam temporariamente os efeitos da falência enquanto recursos eram analisados, evidenciando a complexidade do caso.

Com a nova confirmação judicial, o processo avança para a fase de liquidação de ativos e pagamento de credores, conforme determina a legislação falimentar.

Impacto da pandemia e mudanças no consumo

A crise da Cultura não se limita à disputa judicial. O modelo de grandes livrarias físicas já vinha sofrendo pressão diante do crescimento do comércio eletrônico e da mudança no comportamento do consumidor.

A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário. O fechamento temporário de lojas físicas reduziu drasticamente o fluxo de caixa e dificultou ainda mais o cumprimento das obrigações financeiras.

Especialistas do setor apontam que o varejo de livros no Brasil opera com margens reduzidas, alto custo imobiliário e forte concorrência digital. Esses fatores tornam a sustentabilidade do ramo cada vez mais desafiadora.

Da Biblioteca Circulante ao símbolo cultural

Fundada em 1947 por Eva Herz, a Livraria Cultura nasceu no centro de São Paulo a partir de um serviço de aluguel de livros chamado Biblioteca Circulante. Filha de imigrantes judeus alemães, Eva trouxe ao Brasil exemplares importados da Europa, criando um espaço voltado à difusão cultural.

Em 1969, foi inaugurada a unidade no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A loja se transformou em referência nacional e símbolo da vida cultural paulistana, sediando debates, lançamentos e eventos literários.

Ao longo das décadas, a empresa expandiu suas operações para diversas cidades brasileiras, tornando-se uma das maiores redes de livrarias do país. Nos últimos anos, entretanto, acumulou passivos financeiros que comprometeram sua continuidade.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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