União estável pode perder status de “quase casamento” e mudar regras de divisão de bens
Projeto em análise no Senado altera regras sucessórias a bens herdados e pode reduzir proteção automática a cônjuges e companheiros

Dividir o teto, as contas e a rotina sempre pareceu suficiente para garantir direitos semelhantes aos de um casamento formal. Mas essa sensação de proteção automática pode estar por um fio. O debate sobre mudanças nas regras de herança reacendeu um alerta: morar junto pode deixar de ser sinônimo de segurança jurídica.
A discussão ganhou força com a proposta de atualização do Código Civil em análise no Senado. Embora o texto ainda esteja em tramitação, ele levanta uma questão central: até que ponto a união estável continuará oferecendo as mesmas garantias patrimoniais que o casamento?
O que diz a legislação atual
Atualmente, o Código Civil considera como herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge.
Além disso, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que não pode haver distinção entre casamento e união estável nas regras sucessórias, equiparando os direitos de cônjuges e companheiros.
Isso significa que quem vive em união estável possui, hoje, proteção sucessória semelhante à de quem é casado no papel.
O que pode mudar
A proposta em debate prevê que apenas descendentes e ascendentes permaneçam como herdeiros necessários. Cônjuges e companheiros deixariam essa condição e poderiam perder a garantia de uma parte mínima da herança, dependendo da configuração familiar.
O projeto também reorganiza a ordem de vocação hereditária (termo que se refere aos indivíduos que serão herdeiros e à ordem de prioridade em que estão listados), o que pode impactar diretamente a participação do parceiro sobrevivente na divisão dos bens.
Debate e repercussão
A proposta tem gerado divergências entre juristas e parlamentares. Há quem defenda a mudança como forma de modernizar o sistema sucessório e ampliar a liberdade de disposição patrimonial.
Outros apontam possível redução de proteção para parceiros que construíram patrimônio ao longo de anos de convivência.
O texto ainda está em tramitação e pode sofrer alterações. Especialistas em direito de família recomendam que casais avaliem contratos de convivência, regime de bens e instrumentos como testamento para evitar conflitos futuros.
Enquanto o Congresso discute a reforma, uma certeza se impõe: a percepção de que união estável é automaticamente sinônimo de segurança jurídica pode precisar ser revista caso as novas regras avancem.
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