Novo trauma: estudante autista vítima de abuso é colocado de frente com suspeito e mãe denuncia falha grave em Anápolis

Ao Portal 6, mãe do adolescente revelou que filho vive em constante medo e necessidade de um ambiente seguro e acolhedor

Ícaro Gonçalves -
Novo trauma: estudante autista vítima de abuso é colocado de frente com suspeito e mãe denuncia falha grave em Anápolis
(Imagens: Portal 6 e Reprodução/Google Maps)

Desde o abuso sofrido dentro do Centro de Ensino em Período Integral (CEPI) José Ludovico de Almeida, em Anápolis, o adolescente autista vítima da agressão parece viver um pesadelo sem fim.

Em entrevista ao Portal 6, Yasmine dos Reis, mãe da vítima, revelou falhas graves no acolhimento institucional por parte da escola e da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc).

Segundo Yasmine, ela foi convidada a estar com o filho na Coordenação Regional de Educação de Anápolis na última segunda-feira (16). No entanto, no momento da reunião, também estava no local o estudante suspeito pelo abuso, o que gerou o encontro entre vítima e agressor.

Todo cenário expos o garoto autista a mais sofrimento e revitimização.

“Ontem eu tive um acompanhamento lá. Nós nos chocamos todo mundo no portão de entrada da Secretaria de Educação. Aí o meu filho, na hora de descer do carro, viu o menino, ele travou”, narra Yasmine.

O desespero a levou a não permitir que o filho participasse do encontro, protegendo-o de uma nova exposição traumática.

“Eu acho isso aí super errado, se o menino tá em choque pela situação, como que você marca algo para conversar entre todo mundo e ainda leva as duas crianças?”, questiona a mãe.

Segundo Yasmine, a justificativa da Seduc para o incidente, um suposto “erro de digitação”, o que foi prontamente rebatida pelo advogado da família: “Não existe erro de digitação.”

Para a família, o caso expôs o adolescente “para sofrer duas vezes o mesmo trauma,” aumentando o transtorno que o menino já enfrenta.

Impacto na vida do adolescente

Desde o ocorrido, o adolescente vive em constante medo. “Ele tá com medo de ficar sozinho, até para ir no banheiro tenho que acompanhar ele”, revela Yasmine.

O trauma o deixou quieto e fora da escola, evidenciando a necessidade urgente de um ambiente seguro e acolhedor. A mãe busca agora uma vaga para o filho na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).

“Na escola, e pela situação toda né, é uma criança que ela não sabe ler, não sabe escrever, ele vai mais para a socialização. Eu prefiro que ele fique em casa do que numa escola onde ele não tem segurança”, desabafa.

A falta de um professor de apoio, crucial para alunos com necessidades especiais, é apontada como uma falha grave que contribuiu para a vulnerabilidade do filho.

Diante da gravidade da situação, Yasmine não hesita em cobrar responsabilidades. “Não queria que estivesse acontecendo com o meu filho, mas se eu não divulgar, se eu não falar, isso não vai parar nunca. Isso aí só vai acontecendo cada vez mais”, afirma.

A mãe clama por justiça e responsabilização, e critica a falta de supervisão na unidade escolar com mais de 350 alunos. “Com recreio de uma hora e meio, deixam todos eles soltos. Inclusive, os que tem condições especiais, os que tem laudo, todo mundo reunido.”

Yasmine finaliza com um tom de determinação: “Aonde tiver que ir eu vou, aonde eu tiver que falar eu vou falar.”

O caso foi denunciado na Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) de Anápolis e já passa por oitivas.

Ao Portal 6, a Seduc pontuou que “encaminha providências no sentido de que os estudantes retomem, o mais brevemente possível, a normalidade de suas atividades escolares”.

Confira a nota na íntegra:

Em atenção à solicitação de informações sobre ocorrência envolvendo estudantes do Colégio Estadual em Período Integral (Cepi) José Ludovico de Almeida, de Anápolis, a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc/GO) responde:

– A ocorrência envolve o fato de dois alunos terem sido encontrados no pela direção da unidade escolar.

– A partir desta situação, em que a gestão da escola acionou os pais/responsáveis pelos alunos, a Coordenação Regional de Educação (CRE) de Anápolis, o Conselho Tutelar e demais autoridades, a mãe de um dos estudantes fez um boletim de ocorrência com registro de denúncia de estupro de vulnerável;

– Nesta sexta-feira, 13 de março, uma equipe multidisciplinar foi a unidade escolar para analisar os fatos e acompanhar os familiares e os estudantes. A equipe foi informada que a mãe de um dos alunos só compareceu a unidade escolar no dia posterior ao ato. Foi identificado que os estudantes são atendidos por profissionais de apoio de acordo com as necessidades que possuem.

– A Seduc/GO, por meio da CRE de Anápolis, acompanha o trabalho das autoridades e, ao mesmo tempo, encaminha providências no sentido de que os estudantes retomem, o mais brevemente possível, a normalidade de suas atividades escolares.

Secretaria de Estado da Educação – Governo de Goiás

 

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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