Animal dado como extinto há mais de 100 anos ressurge e renova esperança na preservação da fauna
Após mais de um século, retorno da lontra gigante ao Chaco argentino reacende esperança e já impacta o equilíbrio ambiental

Um feito considerado histórico na preservação ambiental está chamando a atenção de cientistas e ambientalistas.
Após mais de um século sem registros no rio Bermejo e cerca de 40 anos sem registros em território argentino, o animal lontra gigante voltou a habitar a Argentina, marcando um avanço significativo na recuperação da biodiversidade da região.
O reaparecimento do mamífero não apenas simboliza uma vitória na conservação da fauna, como também já começa a provocar mudanças no equilíbrio do ecossistema local.
Retorno histórico após mais de um século no Bermejo
A presença da lontra gigante nas águas do rio Bermejo encerra um período de mais de cem anos sem registros oficiais da espécie naquele curso d’água.
A extinção local foi provocada, principalmente, pela caça predatória e pela degradação do habitat natural ao longo das décadas.
O processo se deu em duas etapas: em 2021, um indivíduo solitário — batizado de “Teuco” — foi avistado de forma espontânea no Parque Nacional El Impenetrable, provavelmente vindo do Pantanal paraguaio, a cerca de mil quilômetros de distância.
Em seguida, a Fundação Rewilding Argentina, em parceria com zoológicos europeus e o Projeto Ariranhas do Brasil, conduziu um programa de reintrodução planejada: em julho de 2025, uma família de lontras gigantes foi liberada nos Esteros del Iberá, em Corrientes, marcando a primeira reintrodução de um mamífero extinto na Argentina.
Com monitoramento constante e ações de preservação, o retorno do animal indica sinais positivos de recuperação ambiental, especialmente na qualidade dos recursos hídricos da região.
Espécie influencia diretamente o ecossistema
Como predadora de topo, a lontra gigante desempenha um papel fundamental no equilíbrio ambiental. Sua presença ajuda a controlar populações de peixes e outros organismos, evitando desequilíbrios e fortalecendo a biodiversidade.
Além disso, os hábitos da espécie contribuem para a dinâmica dos rios e áreas alagadas, promovendo um ambiente mais saudável e resiliente às mudanças climáticas.
Especialistas ressaltam que os efeitos sobre o ecossistema estão sendo monitorados por meio de análises de biodiversidade aquática, com pesquisadores rastreando a diversidade e abundância de espécies de peixes para detectar mudanças ao longo do tempo.
Animal impressiona por comportamento e estrutura
A lontra gigante também se destaca por características únicas. Trata-se de um animal altamente social, que vive em grupos familiares de três a oito membros e possui habilidades de caça coordenada.
Outro ponto que chama atenção é a sua comunicação, baseada em diversos sons e sinais vocais, além de marcas individuais no pescoço que permitem a identificação pelos pesquisadores.
Com até 1,8 metro de comprimento corporal — podendo chegar a mais com a cauda —, o mamífero ocupa o topo da cadeia alimentar em seu habitat, sendo peça-chave para a manutenção do equilíbrio ecológico.
Desafios ainda preocupam especialistas
Apesar do avanço, a manutenção da espécie no ambiente exige cuidados constantes. Ameaças como desmatamento, caça ilegal e degradação das áreas de mata ciliar ainda representam riscos.
Por isso, ações como fiscalização, monitoramento genético e criação de corredores ecológicos são consideradas essenciais para garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo.
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