Nova categoria ganha o direito de ser reconhecida como PCD em concursos públicos

Nova lei abre caminho para que pessoas com esta condição sejam avaliadas como PcD e disputem vagas reservadas

Gustavo de Souza -
Nova categoria ganha o direito de ser reconhecida como PCD em concursos públicos
(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Conviver com uma doença crônica nem sempre significa carregar sinais visíveis. Em muitos casos, as limitações aparecem na rotina, no desempenho profissional, na capacidade de concentração e até em tarefas consideradas simples por outras pessoas.

É nesse contexto que a fibromialgia volta ao centro do debate sobre direitos, inclusão e acessibilidade. A condição, conhecida principalmente pelas dores persistentes e pelo impacto na qualidade de vida de quem é acometido, passou a ser tratada com mais atenção pela legislação brasileira.

Com a mudança na lei federal, pessoas diagnosticadas com fibromialgia poderão buscar o reconhecimento como pessoas com deficiência (PcD), inclusive em situações que envolvem concursos públicos. O avanço, porém, não acontece de forma automática e depende de avaliação específica em cada caso.

A alteração foi feita pela Lei nº 15.176/2025, que modificou a Lei nº 14.705/2023 e criou um programa nacional de proteção dos direitos de pessoas acometidas por fibromialgia, fadiga crônica, síndrome complexa de dor regional e doenças correlatas.

O texto prevê diretrizes como atendimento multidisciplinar, capacitação de profissionais, estímulo à inserção no mercado de trabalho e incentivo a pesquisas sobre o tema. Também estabelece que a equiparação à PcD deve seguir critérios de avaliação biopsicossocial.

Essa análise precisa ser feita por equipe multiprofissional e interdisciplinar. Devem ser considerados impedimentos do corpo, fatores sociais, psicológicos e pessoais, além das limitações no desempenho de atividades e da restrição de participação na sociedade.

Na prática, a pessoa com essa doença poderá solicitar essa avaliação para tentar concorrer às vagas reservadas a PcD em concursos públicos. No entanto, cada caso deverá ser analisado individualmente, conforme os critérios legais e as regras previstas no edital.

No âmbito federal, concursos públicos devem reservar, no mínimo, 5% das vagas para pessoas com deficiência. Por isso, o reconhecimento formal pode representar um caminho importante para candidatos que enfrentam limitações reais provocadas pela síndrome.

Segundo o Ministério da Saúde, a fibromialgia pode causar dor generalizada, fadiga, distúrbios do sono, ansiedade e alterações da memória e atenção. Com a nova lei, essas limitações deixam de ser vistas como questão de saúde e passam a ganhar também dimensão do direito.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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