Empresa pode ser obrigada a indenizar funcionário por proibir o uso de barba
Exigências sobre barba e cabelo no ambiente de trabalho têm limites e podem até gerar indenização em alguns casos

Muitos trabalhadores já ouviram recomendações ou até exigências sobre a aparência no ambiente profissional. Mas até que ponto uma empresa pode determinar como um funcionário deve usar o cabelo ou a barba?
A resposta depende da situação. Embora empregadores possam estabelecer regras relacionadas à apresentação pessoal em determinadas atividades, existem limites previstos pelos direitos individuais dos trabalhadores.
Segundo o advogado trabalhista Igor Zanoti (@zanoti.adv), exigências baseadas apenas em preferência pessoal do empregador podem ser consideradas abusivas.
Quando a empresa pode fazer exigências?
Em algumas profissões, normas relacionadas à aparência possuem justificativa técnica, sanitária ou de segurança.
É o caso de trabalhadores da área alimentícia, hospitais, laboratórios e funções que envolvem máquinas ou equipamentos que possam representar riscos.
Nessas situações, a exigência de barba feita, cabelo curto ou preso pode ser considerada legítima por estar relacionada à proteção da saúde ou da integridade física do trabalhador e de terceiros.
O patrão pode obrigar mudanças por gosto pessoal?
Fora dos casos que envolvem segurança, higiene ou exigências específicas da atividade exercida, a situação muda.
Aparência pessoal, incluindo barba, cabelo e estilo visual, faz parte da identidade individual do trabalhador. Por isso, determinações baseadas exclusivamente no gosto pessoal do empregador podem ultrapassar o poder diretivo da empresa.
De acordo com especialistas em Direito do Trabalho, o ambiente profissional não dá ao empregador controle absoluto sobre aspectos da individualidade dos funcionários.
Exigências abusivas podem gerar indenização
Quando a imposição é considerada excessiva, constrangedora, humilhante ou sem justificativa plausível para a função desempenhada, o trabalhador pode buscar seus direitos na Justiça.
Dependendo das circunstâncias e das provas apresentadas, a situação pode até resultar em indenização por danos morais.
O que diz a legislação?
A legislação trabalhista permite que empresas estabeleçam normas internas para organização e funcionamento das atividades. Entretanto, essas regras não podem violar direitos fundamentais, como dignidade, liberdade individual e respeito à personalidade do trabalhador.
Por isso, cada caso deve ser analisado conforme a atividade exercida e a justificativa apresentada pela empresa para a exigência.
Fonte: advogado trabalhista Igor Zanoti (@zanoti.adv).
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