Em áudio vazado, Flávio Bolsonaro cobra valor milionário de Vorcaro para filme sobre Jair um dia antes de banqueiro ser preso

Gravações foram obtidas pelo Intercept Brasil e revelam o parlamentar pressionando o empresário pelo repasse

Ícaro Gonçalves -
flavio e daniel vorcaro
Áudios revelam cobrança ao banqueiro investigado (Foto: Lula Marques/Agência Brasil e Divulgação/Banco Master)

Com proximidade a ponto de chamá-lo de “irmão” em conversa no WhatsApp, Flávio Bolsonaro (PL) pediu auxílio financeiro milionário ao banqueiro investigado Daniel Vorcaro para produção do filme sobre o pai, Jair Bolsonaro.

As gravações foram obtidas pelo Intercept Brasil e revelam o parlamentar pressionando o empresário pelo repasse de R$ 134 milhões. O diálogo teria ocorrido em novembro de 2025, exatamente 24 horas antes de o banqueiro ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF).

A justificativa para o pedido seria o financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica biográfica sobre do pai.

Segundo o senador, o montante era urgente para garantir contratos com nomes de Hollywood, como o ator Jim Caviezel e o cineasta Cyrus Nowrasteh, evitando o que ele chamou de “calote” que mancharia a reputação da família no exterior.

Confira a transcrição do áudio:

“Irmão, […] apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, mas enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, iniciou.

“Imagina a gente dando o calote no Jim Cavie, no Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano mundial. Ia ser muito ruim, todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme., pode ter efeito elevado a menos um. Então se você me dar um toque, uma posição aí, porque a gente precisa saber o que faz  da vida. Porque já tem muita conta pra pagar esse mês […]”, prosseguiu.

Questionado nesta quarta-feira (13) durante agenda no Supremo Tribunal Federal, Flávio Bolsonaro rechaçou as acusações, classificando o áudio como inexistente e fruto de “mentiras”. No entanto, a repercussão no Congresso foi imediata.

Parlamentares da oposição, liderados por Lindbergh Farias (PT), já acionaram órgãos de controle para investigar se o valor — considerado desproporcional para uma obra audiovisual — não seria, na verdade, uma simulação para ocultar financiamento político irregular.

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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