Restaurantes de todo o país começam a se preparar para o fim da escala 6×1

Setor de restaurantes já discute adaptações na jornada de trabalho e defende liberdade para distribuir as 40 horas semanais

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Restaurantes de todo o país começam a se preparar para o fim da escala 6x1
(Foto: Agência Brasil)

A discussão sobre o fim da escala 6×1 deixou de ser apenas um debate político e passou a entrar diretamente no planejamento de empresas que dependem de atendimento presencial, turnos variados e equipes em horários de pico.

Entre restaurantes, bares, lanchonetes e redes de alimentação, a preocupação não está apenas na redução da jornada semanal. O ponto central, segundo representantes do setor, é como essas horas serão distribuídas na prática.

De acordo com informações específicas publicadas pela Exame, a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) já trata a redução da jornada como uma realidade em discussão e defende que o limite de 40 horas semanais venha acompanhado de flexibilidade.

A entidade aceita a ideia de uma carga menor, mas rejeita um modelo considerado engessado, com oito horas fixas por dia.

Para o setor, restaurantes possuem rotinas muito diferentes entre si, como pizzarias que concentram movimento à noite, casas por quilo focadas no almoço e estabelecimentos com funcionamento reduzido ao longo do dia.

Ainda conforme a Exame, a proposta da ANR foi levada ao relator da PEC na Câmara, deputado Leo Prates, e também apresentada ao Ministério do Trabalho.

A ideia defendida é manter as 40 horas semanais, mas permitir que os estabelecimentos distribuam a jornada conforme a demanda de cada operação.

A partir da 41ª hora semanal, o período continuaria sendo considerado hora extra, sem alteração nessa regra. O argumento é que a flexibilidade poderia ajudar tanto empresas quanto trabalhadores, permitindo diferentes formatos de escala.

O tema ganhou força enquanto a PEC que trata do fim da escala 6×1 avança no Congresso. O texto prevê dois dias de descanso semanal para todos os trabalhadores, sendo um deles preferencialmente aos domingos, além da redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.

Segundo a reportagem da Exame, parte do setor já começou a se movimentar antes mesmo de uma decisão final. Franqueados de grandes redes já testam modelos como 5×2, enquanto outras operações utilizam escalas alternativas, como 12×36.

O impacto, no entanto, deve variar conforme o tamanho e o modelo de cada negócio. Restaurantes com equipes enxutas e horários concentrados de atendimento podem precisar contratar mais funcionários ou redesenhar completamente a rotina de trabalho.

A estimativa citada pelo setor é de que a redução da jornada possa aumentar entre 10% e 20% a necessidade de pessoal. O desafio se torna maior em um cenário de baixa disponibilidade de trabalhadores e dificuldade de retenção no comércio e nos serviços.

Para empresários da alimentação fora do lar, a adaptação dependerá de planejamento, revisão de turnos e análise dos horários de maior movimento. Já para os trabalhadores, a principal promessa da mudança é a redução da carga semanal sem corte salarial.

Na prática, o debate mostra que o possível fim da escala 6×1 não envolve apenas mais dias de descanso. Ele também abre uma disputa sobre produtividade, custos, contratação e o futuro das relações de trabalho em setores que funcionam fora do expediente tradicional.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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