De escolinha em Goiás à Copa do Mundo: treinadora relembra primeiros passos de Endrick no futebol

Nascido no Distrito Federal e criado em Valparaíso, número 19 da Seleção Brasileira estreou contra o Haiti balançando a rede

Natália Sezil -
Endrick ao lado da treinadora Marília Rocha.
Endrick ao lado da treinadora Marília Rocha. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Aos 19 anos, Endrick entrou em campo pela Seleção Brasileira e fez a estreia na Copa do Mundo no jogo contra o Haiti, nesta sexta-feira (19). Ele chegou a balançar a rede do adversário, em um gol anulado. Mas o que pouca gente sabe é que esse talento começou em Goiás.

Nascido em Taguatinga, no Distrito Federal (DF), o atual camisa 19 do Brasil mudou-se ainda criança e foi criado em Valparaíso de Goiás, no Entorno do DF.

Foi ali que deu os primeiros passos no futebol, em escolinhas e ruas da região. Quando a vontade de jogar ficou grande demais para o asfalto, o pai de Endrick, Douglas Souza, teve que insistir para o filho entrar na Gol de Letra.

O principal obstáculo era a idade: apenas crianças mais velhas frequentavam a escolinha, que ele logo acabou conquistando também. Sem condições financeiras de bancar a mensalidade, ganhou uma bolsa e se aperfeiçoou ali até ser transferido para a base do Palmeiras.

A ex-treinadora do jogador, Marília Rocha, foi quem fundou a escolinha. Com um papel essencial no passado do jovem, ela relembra como ele era: “coloquei o Endrick no campo e ele era um ‘espoleta’. Ele era muito custoso”, contou à TV Anhanguera.

E completou: “não tinha medo, ele era destemido, corria o campo inteiro. Eu vi muita garra, muita força, muita energia”, disse. Marília relembra como conheceu o garoto, quando ele tinha apenas quatro anos.

“Nessa época, eu não trabalhava com atletas tão novinhos, mas o Douglas levou o Endrick até a minha escola e pediu uma oportunidade. Logo de início, eu pensei: ‘não, ele é muito novo, ele vai chorar’, pelo fato de treinar com os meninos mais velhos”.

Ela decidiu arriscar, e a decisão acabou saindo do campo. O cuidado foi além. “Endrick teve um convívio dentro da minha casa. Tinha a comida preferida dele, tinha o cantinho dele de guardar as roupas”, afirma a treinadora.

À medida que o atacante evoluía, a dupla buscava oportunidades maiores. Marília, então, firmou parceria com uma escolinha de futebol de Brasília. Passou a levar a criança três vezes por semana para treinar.

Passos seguintes

Aos 10 anos, Endrick estreou pela base do Palmeiras. Estava na vitória de 6 a 1 sobre o Guarani, em maio de 2017, onde marcou o primeiro gol pelo clube alviverde.

Passou a ser conhecido internacionalmente aos 15 anos, quando foi um dos nomes do Verdão na conquista inédita da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2022. Foi o artilheiro da competição, com seis gols em sete jogos.

Estreou como jogador profissional do clube aos 16 anos. Pouco depois, foi contratado pelo Real Madrid, em uma operação que girou em torno de 70 milhões de euros (cerca de R$ 393 milhões).

Foi oficializado pelo clube espanhol em dezembro de 2022, e quebrou um recorde em setembro de 2024 ao ser o jogador mais jovem a fazer um gol pelo time na história da Champions League.

Endrick estreou pelo Lyon, da França, em janeiro de 2026. Emprestado, começou também marcando gol, na vitória diante do Lille.

O atacante foi escalado pelo técnico Carlo Ancelotti em 18 de maio, para compor a Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo – mas não tinha jogado até esta sexta-feira (19).

Em campo contra o Haiti por 31 minutos no segundo tempo, Endrick substituiu Matheus Cunha, autor de dois gols, e chegou a balançar a rede do adversário. O gol, no entanto, estava impedido. Mesmo assim, o time conquistou o primeiro lugar no Grupo C.

A fase de grupos se encerra na próxima quarta-feira (24), quando o Brasil enfrenta a Escócia.

 

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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