Alunas brasileiras transformaram planta do sertão em filtro de 50 centavos que torna água potável e venceram na maior feira de ciências do mundo
Uma ideia desenvolvida durante estudos conquistou destaque entre projetos científicos de diferentes países participantes

Em meio aos desafios enfrentados pelo semiárido cearense, duas estudantes de Pedra Branca encontraram na ciência uma forma de buscar soluções para a falta de água potável.
Lauanda Lima e Kalyne Falcão, ambas com 17 anos e alunas do curso técnico de Enfermagem da Escola Estadual Antônio Rodrigues de Oliveira, desenvolveram um filtro de água produzido com carvão ativado obtido da jurema-preta (Mimosa hostilis).
O projeto, de baixo custo, chamou atenção internacional ao conquistar prêmio na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), considerada a maior feira de ciências para estudantes do mundo.
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A pesquisa surgiu da realidade vivida no município, onde a escassez de água compromete o abastecimento da população.
Buscando uma alternativa acessível, as estudantes decidiram utilizar a jurema-preta, espécie abundante na região e frequentemente descartada por meio de queimadas.

(Imagem: Arquivo Pessoal)
Após cerca de um ano de experimentos, elas conseguiram produzir um carvão ativado capaz de integrar um filtro doméstico com custo aproximado de apenas 50 centavos por unidade.
Além de aproveitar um recurso disponível na natureza, o processo de carbonização desenvolvido reduz significativamente a emissão de gases em comparação à queima convencional da planta.
Solução eficiente

(Imagem: Arquivo Pessoal)
Os testes mostraram que o filtro foi capaz de ajustar importantes parâmetros físico-químicos da água, como pH, condutividade e sólidos dissolvidos, tornando-a adequada para consumo dentro das condições avaliadas na pesquisa.
O desempenho despertou o interesse de instituições locais e resultou em uma parceria com a empresa responsável pelo tratamento de água de Pedra Branca, que estuda aplicar uma versão ampliada da tecnologia na estação de abastecimento do município.
Ciência que transforma

(Imagem: Arquivo Pessoal)
Mesmo ainda no ensino médio, Lauanda e Kalyne demonstraram como a pesquisa científica pode nascer da observação dos problemas da própria comunidade.
O reconhecimento internacional reforçou o potencial da inovação desenvolvida no interior do Brasil e destacou a importância de investir em projetos escolares voltados para soluções sustentáveis.
As duas estudantes afirmam que pretendem seguir carreira na área da saúde, sonhando com a graduação em Medicina, sem deixar de incentivar outros jovens a acreditarem na ciência como ferramenta de transformação social.
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