Donos reformam bar de 202 m² e, ao retirar o revestimento das abóbadas, descobrem uma casa de banhos islâmica com mais de 800 anos, 88 claraboias em formato de estrela e pinturas geométricas e decide ampliar ambiente do bar
Casa de banhos islâmica escondida no centro de Sevilha mudou os planos da obra e passou a integrar o espaço frequentado diariamente pelos clientes

Uma casa de banhos islâmica com mais de 800 anos surpreendeu os responsáveis pela reforma de um tradicional bar no centro histórico de Sevilha, na Espanha. O imóvel escondia 88 claraboias, antigas pinturas geométricas e diferentes ambientes usados durante o período medieval.
Os donos planejavam apenas modernizar o estabelecimento de 202 m². No entanto, a retirada do revestimento que cobria as abóbadas revelou uma estrela de oito pontas no teto.
A descoberta mudou o rumo da obra. Por isso, arqueólogos e restauradores passaram a acompanhar a intervenção. Além disso, os proprietários decidiram integrar a estrutura histórica ao ambiente comercial.
- Com 2 mil toneladas de aço e prateleiras que sustentam o próprio prédio, a Havan fez uma ampliação de R$ 250 milhões no maior centro de distribuição da América Latina, um complexo do tamanho de 28 campos de futebol que separa 20 mil caixas por hora
- Anvisa retira das prateleiras shampoos, perfumes e óleo em supermercados de todo o país
- Especialistas em compras concordam: “Ir ao supermercado com uma lista ainda é a melhor maneira de gastar menos”
Reforma revelou estrutura escondida
A Cervecería Giralda ocupa o imóvel desde 1923. Durante décadas, clientes fizeram refeições e beberam no local sem perceber o que existia sobre o revestimento.
O primeiro sinal surgiu quando os trabalhadores abriram uma parte do teto falso. Logo depois, encontraram a claraboia em forma de estrela.
A equipe continuou a remoção com mais cuidado. Assim, outras aberturas começaram a aparecer, junto com desenhos em tons de vermelho sobre uma base branca.
As pinturas formam círculos, quadrados, rosetas e estrelas de oito pontas. Em alguns trechos, linhas em zigue-zague representam a água e acompanham os contornos das abóbadas.
Casa de banhos islâmica tinha diferentes salas
Os pesquisadores identificaram no imóvel um antigo hammam do século XII. Esse tipo de construção funcionava como espaço de higiene, descanso e convivência nas cidades islâmicas.
Normalmente, os hammams possuíam salas frias, mornas e quentes. Cada ambiente cumpria uma função no ritual do banho.
O atual balcão do bar ocupa a antiga sala morna. Uma abóbada octogonal cobre o espaço, que também possui quatro colunas.
Já as mesas ocupam parte da antiga sala fria. Esse ambiente tem formato retangular, mede aproximadamente 4,10 metros de largura e alcança 13 metros de comprimento.
A cozinha, por sua vez, ocupa a área onde funcionava a sala quente. Entretanto, apenas parte de um arco permaneceu no local.
Claraboias iluminavam os ambientes
As 88 claraboias aparecem em diferentes tamanhos e formatos. Há estrelas, octógonos e desenhos lobulados espalhados pelas antigas salas.
Além de iluminar os espaços, as aberturas ajudavam a compor a decoração. Os desenhos geométricos acompanhavam cada claraboia e criavam um conjunto visual detalhado.
A sala fria chama atenção porque reúne cinco fileiras de aberturas. Outros banhos islâmicos do mesmo período costumam apresentar uma ou três fileiras.
A quantidade e o estado das pinturas tornaram o achado ainda mais raro. As camadas adicionadas em reformas anteriores protegeram boa parte da ornamentação durante séculos.
Obra passou a priorizar a preservação
Após confirmar a origem do edifício, a equipe alterou o projeto de modernização. Os profissionais procuraram conservar o hammam sem apagar a identidade construída pelo bar ao longo das décadas.
Dessa forma, o balcão de madeira e os azulejos tradicionais permaneceram no salão. Uma cornija metálica passou a separar visualmente esses elementos das pinturas medievais.
A solução permitiu ampliar o espaço destinado aos clientes. Ao mesmo tempo, manteve as abóbadas e os desenhos antigos à vista.
Hoje, os frequentadores podem comer e beber dentro de uma estrutura criada há mais de oito séculos. Portanto, o bar também se transformou em um ponto de interesse histórico.
Tecnologia registrou os detalhes
Durante a restauração, os especialistas usaram a fotogrametria para registrar a construção. A técnica combina fotografias feitas de vários ângulos e cria representações digitais precisas.
Com isso, a equipe documentou as dimensões, os desenhos e o formato das salas. O material também ajudou os pesquisadores a imaginar a aparência original do hammam.
Registros do século XIII já mencionavam antigos banhos nesse endereço. Porém, durante muito tempo, alguns estudiosos atribuíram as abóbadas a períodos posteriores.
A retirada do revestimento esclareceu a origem do imóvel. Pinturas, arcos, claraboias e a divisão dos ambientes confirmaram a relação com a arquitetura islâmica medieval.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!







