Justiça prevê multa de R$ 5 mil para psicóloga que publicou vídeo sobre contratação de petistas em Goiás

Determinação atende a uma ação do MPT-GO e também impede novas publicações que incentivem a exclusão de trabalhadores por preferência política

Psicóloga e empresária Mara Suassuna terá de retirar vídeo das redes sociais por determinação da Justiça do Trabalho. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Psicóloga e empresária Mara Suassuna terá de retirar vídeo das redes sociais por determinação da Justiça do Trabalho. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

A Justiça do Trabalho determinou que a psicóloga e empresária goiana do ramo de recrutamento profissional Mara Cristina Pacheco Suassuna retire das redes sociais um vídeo em que aborda a seleção de funcionários com base em preferências políticas.

A determinação, conforme comunicado divulgado pelo órgão, ocorreu após o ajuizamento de uma ação civil pública contra a profissional.

Ainda segundo o MPT-GO, a decisão também proíbe a psicóloga e sua empresa de publicar novos conteúdos que incentivem a discriminação política nas relações de trabalho.

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Em caso de descumprimento, está prevista multa de R$ 5 mil por dia, de acordo com as informações divulgadas pelo Ministério Público.

Apesar do anúncio, o Portal 6 ainda não teve acesso à íntegra da decisão judicial. Questionado pela reportagem, o MPT-GO informou que publicará uma matéria completa sobre o caso na terça-feira (03), incluindo um link para consulta à liminar.

Assim, os detalhes conhecidos até o momento sobre a determinação judicial são aqueles informados oficialmente pelo órgão, enquanto o documento não está disponível para conferência.

A medida ocorre depois que Mara relatou publicamente ter recebido solicitações de empresários interessados em contratar trabalhadores que não fossem simpatizantes ou filiados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Vídeo repercutiu após as eleições

A gravação foi divulgada na segunda-feira (26), depois do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, e ganhou repercussão nas redes sociais.

No conteúdo, a psicóloga, que atua no setor de recrutamento e seleção de profissionais, afirmou que empresários haviam procurado sua consultoria para buscar funcionários que não fossem petistas.

Ao comentar as solicitações, ela argumentou que a escolha de colaboradores deveria considerar os valores compartilhados entre empresas e trabalhadores.

Na ocasião, Mara também colocou os serviços da própria consultoria à disposição de empresários interessados em selecionar profissionais de direita.

A manifestação motivou questionamentos sobre o uso de convicções partidárias como critério para permitir ou impedir o acesso a oportunidades de emprego.

Conselho de Psicologia também apura o caso

Antes da decisão judicial, o Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09) já havia divulgado uma nota de repúdio à utilização de critérios políticos em processos seletivos.

A entidade ressaltou que a Constituição Federal, a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Lei nº 9.029/1995 oferecem proteção contra práticas discriminatórias nas relações de trabalho.

O conselho também destacou que psicólogos responsáveis por recrutamento devem avaliar candidatos com base em critérios técnicos, como qualificações, experiência e exigências do cargo.

Além disso, informou que adotaria providências para apurar a conduta da profissional. O procedimento ético tramita sob sigilo, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Após a repercussão inicial, Mara divulgou uma nota de esclarecimento na qual negou intenção discriminatória. Ela sustentou que o alinhamento de valores organizacionais não significa alinhamento político e defendeu a importância da diversidade de pensamento nas empresas.

Confira a nota de Mara Suassuna na íntegra:

“Não se trata de pensar igual. Trata-se de compartilhar princípios.

A Teoria dos Valores Humanos Básicos, desenvolvida pelo psicólogo Shalom H. Schwartz, demonstra que nossos valores orientam escolhas, comportamentos, prioridades e decisões.

Nas amizades, nas relações profissionais e nas organizações, a compatibilidade de valores favorece a confiança, o pertencimento e a construção de objetivos comuns.

Após os resultados das eleições, muitos empresários têm procurado o Instituto Mara Suassuna para novos processos seletivos, destacando o alinhamento de valores como critério decisivo na contratação.

Mas atenção: alinhamento de valores organizacionais não significa alinhamento político. Significa identificar profissionais que compartilhem princípios como ética, responsabilidade, respeito, integridade e compromisso com os objetivos da empresa.

A diversidade de pensamento fortalece as organizações. O que compromete os resultados não é pensar diferente, mas agir em desacordo com os princípios que sustentam a cultura organizacional.

Sugiro conhecer a teoria de Schwartz. Afinal, nossos valores orientam nossas escolhas, e nossas escolhas revelam quem somos.”

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.