Delegação da Ucrânia vai aos EUA discutir plano para encerrar guerra, diz Zelenski

Presidente ucraniano deve ir a Paris se encontrar com o presidente francês Emmanuel Macron em Paris

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Delegação da Ucrânia vai aos EUA discutir plano para encerrar guerra, diz Zelenski
Volodimir Zelensky. (Foto: Flickr)

SÃO PAULO, SP, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) – Uma delegação de negociadores ucranianos viajou neste sábado (29) para os Estados Unidos com o intuito de aprofundar as conversas sobre o plano de Washington para encerrar a guerra, disse o presidente ucraniano Volodimir Zelenski.

“O secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia e chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, junto com a equipe, já está a caminho dos Estados Unidos”, disse Zelenski em uma publicação no X.

Funcionários do governo americano afirmaram à agência de notícias Reuters que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, se reunirão com autoridades ucranianas neste domingo (30), na Flórida.

Já na segunda-feira (1), Zelenski deve ir a Paris se encontrar com o presidente francês Emmanuel Macron em Paris. De acordo com informações divulgadas pelo Palácio do Eliseu neste sábado, os dois líderes discutirão “as condições de uma paz justa e duradoura”, após conversas em Genebra e o plano de paz americano.

Zelenski se vê especialmente fragilizado neste momento da negociação, diante de um escândalo de corrupção que tem minado seu governo. Uma investigação derrubou nesta sexta (28) Andrii Iermak, o chefe de gabinete da Presidência e segundo homem mais poderoso do país, responsável justamente por coordenar a posição ucraniana nos diálogos do acordo de paz com a Rússia proposto pelo governo Trump.

Em nota, o Escritório Nacional Anticorrupção (Nabu, na sigla local) e a Procuradoria especializada Anticorrupção (Sapo) afirmaram que a Justiça autorizou uma operação na casa do político, mas não revelaram o teor da apuração. Sua saída foi anunciada logo depois por Zelenski, que disse ser necessário manter “a unidade nacional”.

A ação provavelmente teve a ver com o megaescândalo relacionado ao desvio de ao menos US$ 100 bilhões (R$ 530 bilhões) do setor de energia, que derrubou os ministros da área e da Justiça. Iermak afirmou que está colaborando com as apurações.

As duas agências que investigam Iermak, visto amplamente como quem dá as cartas na política ucraniana pelo lado do governo, tinham sido objeto de polêmica em junho.

Zelenski tentou tirar o poder delas de investigar pessoas em altos cargos, caso de Iermak, o que levou aos primeiros grandes protestos de rua contra o presidente desde que Vladimir Putin invadiu seu país, em fevereiro de 2022.

Pressionado em casa e pelos aliados, que doaram cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 8 trilhões) para o esforço de guerra até agora e querem saber para onde vai o dinheiro, o presidente recuou da proposta.

O momento não poderia ser pior para o ucraniano, que tem no ex-chefe das Forças Armadas Valeri Zalujni o principal candidato a sucessor —quando houver eleições, já que o estado de sítio impede a realização de pleitos mesmo com o mandato de Zelenski tendo expirado em maio do ano passado.

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